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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Vale prevê recomprar ações nos próximos meses, mas descarta extra

Marcelo Bacci disse que não há previsão de dividendo extraordinário em 2026; a mineradora tem autorização para comprar até 100 milhões de ações.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Estrutura de mineração da Vale diante de uma mina de minério de ferro a céu aberto. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Estrutura de mineração da Vale diante de uma mina de minério de ferro a céu aberto.
Resumo em 30 segundos

A Vale poderá retomar a recompra de ações nos próximos meses, dependendo das condições de mercado, afirmou o vice-presidente de Finanças, Marcelo Bacci. A empresa não prevê pagar dividendos extraordinários neste ano e poderá discutir o tema em 2027. No terceiro trimestre, o lucro líquido caiu 53% na comparação anual, para US$ 1,255 bilhão.

A Vale poderá voltar a recomprar ações nos próximos meses, mas não prevê pagar dividendos extraordinários neste ano, afirmou nesta sexta-feira (30) o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da mineradora, Marcelo Bacci. A empresa tem um programa autorizado para adquirir até 100 milhões de papéis, e a decisão sobre novas compras dependerá das condições de mercado.

“ Nesse momento tivemos queda expressiva das ações e isso dá oportunidade para comprar. A gente acha que vai ter oportunidade nos próximos meses de fazermos recompras, mas não podemos antecipar nem volume nem ‘timing’”, disse Bacci ao comentar os resultados do terceiro trimestre. O programa permite que a companhia compre ações próprias no mercado, reduzindo a quantidade de papéis em circulação; a operação pode beneficiar os acionistas, mas não representa, por si só, uma distribuição de dinheiro aos investidores.

Sobre os dividendos extraordinários — pagamentos adicionais aos dividendos regulares —, o executivo disse que a Vale prefere aguardar maior clareza no cenário internacional. “Preferimos ficar mais no lado conservador. À medida que cenário ficar mais claro, podemos discutir para 2027, mas ainda é cedo para falar sobre isso.” Segundo Bacci, a possibilidade de uma distribuição extra não deve se concretizar neste ano, diante das incertezas geopolíticas.

A declaração foi feita na entrevista sobre o balanço do terceiro trimestre, divulgado na quinta-feira (29). Entre julho e setembro, a Vale teve lucro líquido de US$ 1,255 bilhão, 53% menor que no mesmo período do ano passado. A receita operacional líquida, por outro lado, avançou 2%, para US$ 10,599 bilhões.

A dívida líquida expandida, que inclui compromissos relacionados à recuperação de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, fechou o trimestre em US$ 16,413 bilhões, queda de 1% na comparação anual. Os investimentos somaram US$ 1,250 bilhão, valor em linha com o registrado no terceiro trimestre do ano passado.

Bacci avaliou que o resultado ficou “um pouco melhor” do que o mercado esperava e afirmou que os volumes e custos de minério de ferro e da Vale Base Metals (VBM), divisão de metais básicos da empresa, estão dentro do previsto. Segundo ele, os investimentos também permanecem sob controle e a redução da dívida amplia a flexibilidade para financiar o crescimento e remunerar os acionistas.

A recompra e os dividendos são formas diferentes de devolver recursos aos investidores. No pagamento de dividendos, a empresa distribui parte do resultado ou de suas reservas aos acionistas. Na recompra, usa recursos para adquirir papéis no mercado; os investidores que não vendem permanecem com uma participação proporcional maior na companhia, embora o efeito sobre o preço das ações não seja garantido.

As ações da Vale subiam 3,70% na B3 durante a entrevista, cotadas a R$ 62,27. Bacci relacionou a reação do mercado à avaliação de que o resultado trimestral superou ligeiramente as expectativas, mas não antecipou o volume ou o calendário de eventuais recompras.

O executivo também afirmou que a companhia trabalha com diferentes cenários políticos e que mantém interlocução com o governo federal. Disse ainda que a Vale espera a conclusão, até o fim do ano, das discussões sobre as outorgas de suas ferrovias. As outorgas autorizam a operação das linhas e estão em negociação desde que o tema voltou a ser discutido em 2023.

Bacci mencionou ainda a expectativa de que a regulamentação sobre minerais críticos possa estimular investimentos em cobre no Brasil. Segundo ele, o plano de crescimento da Vale para o metal não depende de mudanças regulatórias, mas regras favoráveis poderiam permitir uma expansão maior do que a já prevista. O executivo afirmou que a empresa acompanha também a elaboração de um decreto sobre mineração em cavernas e espera uma solução que concilie a atividade mineral com a proteção ambiental.

Fontes: Valor Econômico

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