Produtos coreanos de beleza ampliam espaço no mercado brasileiro
As vendas de K-Beauty subiram 347% em 12 meses até agosto, impulsionadas pelo interesse em skincare coreano, mas ainda representam 0,4% do setor.
Resumo em 30 segundos
As vendas de produtos sul-coreanos de beleza cresceram 347% no Brasil nos 12 meses até agosto, somando US$ 24,7 milhões. A alta acompanha a popularidade de doramas e K-pop e se reflete nas importações, em lojas especializadas e em redes de varejo. Especialistas recomendam verificar a procedência e o registro sanitário dos itens.
As vendas de produtos sul-coreanos para cuidados com a pele e o cabelo, proteção solar e maquiagem cresceram 347% no Brasil nos 12 meses até agosto, em comparação com o período anterior, segundo levantamento da NielsenIQ. O avanço acompanha a popularidade dos doramas e do K-pop e amplia a presença do chamado K-Beauty em lojas físicas e na internet, embora esses itens ainda representem 0,4% do mercado brasileiro de beleza.
O faturamento das marcas coreanas no país somou US$ 24,7 milhões, ou R$ 123,7 milhões, no período. São 318 marcas, mas cinco concentram 80% das vendas, de acordo com a consultoria. O mercado brasileiro de beleza movimentou US$ 5,2 bilhões, ou R$ 26 bilhões, e cresceu 15% na mesma comparação.
O skincare — conjunto de cuidados com a pele, como limpeza e hidratação — aparece entre as portas de entrada para a cultura coreana. Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box, feita em julho com cerca de 1,5 mil pessoas, apontou que 45% tinham interesse por beleza e cuidados com a pele coreanos. Quase metade, 49%, disse ter gasto mais do que planejava com produtos, experiências ou eventos ligados à cultura do país.
A expansão também é visível no comércio exterior. Entre janeiro e agosto, a Coreia do Sul exportou para o Brasil US$ 64,7 milhões em cosméticos e produtos de beleza, alta de 96,9% em relação aos mesmos meses do ano passado. O volume chegou a 2.070 toneladas, crescimento de 128,6%. O valor exportado nos oito primeiros meses deste ano já superou em 19% o total de 2025, de US$ 54,4 milhões.
A influência cultural ajuda a explicar a procura. A chamada Hallyu, ou onda sul-coreana, difundiu a música e as produções de televisão do país desde os anos 1990 e agora também impulsiona o consumo de cosméticos. Redes sociais, especialmente o TikTok, ampliam a divulgação de rotinas e produtos. Para Margareth Ikeda Utimura, líder de indústria de higiene e beleza da NielsenIQ, K-pop e doramas contribuíram para tornar desejável o padrão de beleza associado à Coreia.
O aumento da demanda levou ao surgimento de lojas especializadas. A Jini Cosméticos, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, começou como comércio on-line de produtos coreanos há quatro anos e abriu sua primeira loja física no bairro há um ano. O local vende marcas como Medicube, Celimax e Numbuzin. A empresa importa diretamente de fabricantes e também revende produtos no atacado para outros varejistas on-line.
Em dias de eventos ligados à cultura coreana, mais de mil pessoas já passaram pela loja em um único dia, segundo Julia Carolina Rocha Simini, responsável pelo marketing da Jini. A empresa também opera quiosques em shoppings e planeja abrir uma segunda unidade. Redes maiores ampliam a oferta: farmácias e lojas de cosméticos criaram espaços para produtos asiáticos, e a Raia Conceito, da RD Saúde, inaugurada em agosto no Itaim, reúne cerca de 2,5 mil produtos novos e aproximadamente 50 marcas adicionais, incluindo asiáticas.
O movimento inclui empresas que desenvolvem linhas na própria Coreia. A farmacêutica Cimed prepara a marca Mili, com produtos para a pele desenvolvidos e fabricados no país asiático e adaptados ao mercado brasileiro. A previsão é que os itens cheguem às farmácias a partir de janeiro de 2027. O investimento anunciado foi de R$ 80 milhões, e os preços previstos variam de R$ 100 a R$ 200, conforme a categoria.
A ampliação do comércio depende também das regras sanitárias. Em fevereiro, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia, o Ministério da Segurança Alimentar e Farmacêutica sul-coreano e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) renovaram um memorando de cooperação regulatória que passou a incluir cosméticos. A expectativa apresentada é que a aproximação facilite os processos de importação e possa reduzir prazos e custos.
Especialistas recomendam atenção à procedência, pois há produtos vendidos informalmente sem registro da Anvisa na embalagem. Para reduzir o risco de comprar itens falsificados, a orientação é conferir o registro sanitário, verificar o nome do importador e procurar lojas conhecidas. A recomendação vale para quem busca marcas populares on-line, inclusive produtos de skincare de marcas como a Medicube.