RD Saúde vê comprimido para emagrecer ampliar mercado em 2027
A Anvisa aprovou o primeiro comprimido para tratar obesidade no Brasil; a previsão é que o medicamento chegue às farmácias no fim do primeiro semestre de 2027.
Resumo em 30 segundos
A RD Saúde espera que o primeiro comprimido aprovado no Brasil para tratar a obesidade atraia consumidores que não querem usar medicamentos injetáveis. A rede também registrou crescimento nas vendas de GLP-1 e receita bruta de R$ 13,2 bilhões no terceiro trimestre, embora o ritmo de expansão tenha desacelerado.
A RD Saúde espera que o primeiro comprimido para tratar a obesidade aprovado no Brasil ajude a ampliar a procura por medicamentos para emagrecimento. Segundo o presidente da companhia, Renato Raduan, o produto deve chegar às farmácias brasileiras no fim do primeiro semestre de 2027 e pode atrair consumidores que não querem usar medicamentos injetáveis.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento oral um dia após a divulgação do balanço trimestral da rede. O comprimido já é comercializado nos Estados Unidos e no Reino Unido. A aprovação abre uma nova opção de tratamento, além das chamadas “canetinhas”, medicamentos aplicados por injeção que ganharam espaço no mercado.
Raduan avalia que a versão oral pode expandir a categoria, e não apenas substituir as injeções. Na RD Saúde, os medicamentos da classe GLP-1 — que inclui produtos usados no tratamento da obesidade e do diabetes — já representam cerca de 12% das vendas, segundo a companhia.
A rede afirma ter observado aumento no número de consumidores após a chegada de versões mais baratas de semaglutida. Embora os preços tenham caído, as quantidades vendidas cresceram; quase dois terços dos compradores dos novos similares ainda não consumiam produtos da categoria na RD, de acordo com Raduan.
A concorrência também pode melhorar as margens da empresa. Os medicamentos GLP-1 impulsionam as vendas, mas têm rentabilidade inferior à de outras categorias. Novos fornecedores negociam margens brutas acima de 20%, próximas de 25%, disse o presidente. “Antes a gente projetava que a competição traria mais margem bruta. Agora já não é mais uma projeção, porque as negociações já estão acontecendo”, afirmou.
No terceiro trimestre, a receita bruta da RD Saúde cresceu 16% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a R$ 13,2 bilhões. O avanço foi menor que os registrados nos dois trimestres anteriores, de 20,4% e 18,3%. As vendas da categoria de GLP-1 aumentaram cerca de 60% no período, mas a empresa deve enfrentar uma base de comparação mais alta no quarto trimestre, quando essas vendas haviam crescido 184% em 2025.
O lucro líquido ajustado subiu 20,1%, para R$ 439 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 14,7%, para R$ 1,02 bilhão. A margem Ebitda, indicador que compara o resultado operacional à receita, recuou 0,1 ponto percentual, para 7,8%.
A participação de mercado da rede alcançou 19,1%, alta de 1,1 ponto percentual em um ano. Nas lojas maduras, abertas há mais tempo, as vendas cresceram 8,4%, acima do reajuste anual de 2,8% nos preços dos medicamentos.
A companhia também disputa consumidores no comércio digital. O canal online movimentou R$ 3,8 bilhões no trimestre, o equivalente a 29,4% das vendas do varejo, mas perdeu participação em relação ao período anterior. A RD atribuiu a redução à extensão, para as lojas físicas, de descontos em medicamentos GLP-1 antes concentrados nos aplicativos.
A rede encerrou o trimestre com 3.770 farmácias e espera terminar 2026 mais perto do limite superior da previsão de abrir entre 330 e 350 unidades no ano. No período, inaugurou 92 lojas.
Para entender
- GLP-1
- GLP-1 é a sigla de um hormônio ligado à regulação do apetite e da glicose no sangue. Medicamentos que atuam nessa via são usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade; a indicação depende de avaliação e prescrição de profissionais de saúde.