Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em crise do Ueno
A saída foi anunciada enquanto deputados analisavam o impeachment; a crise envolve denúncias de fraude no Ueno Bank, fechado após intervenção do Banco Central.
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Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira, em meio à crise envolvendo o Ueno Bank e à análise de um pedido de impeachment. O banco foi fechado após intervenção do Banco Central, e a Procuradoria acusou formalmente 27 pessoas ligadas à instituição. O vice-presidente Pedro Alliana poderá assumir o cargo.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada por denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank e enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra ele. A instituição financeira, que tinha cerca de 2,9 milhões de clientes, foi fechada após uma intervenção do Banco Central paraguaio.
A crise ganhou força nesta semana, quando oito pessoas ligadas ao banco foram presas e clientes protestaram diante de agências. A Procuradoria também acusou formalmente 27 pessoas relacionadas à instituição, e a Justiça determinou o bloqueio de bens. O banco central identificou problemas de solvência associados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao Ueno, segundo as acusações apresentadas no processo.
Parlamentares da oposição atribuíram a Peña responsabilidade por supostos conflitos de interesse e pelo uso de recursos públicos e previdenciários em benefício do banco. O presidente havia sido investidor da holding controladora da instituição até março de 2025. As acusações são objeto de disputa política e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre a responsabilidade de Peña.
O pedido de impeachment foi apresentado por 35 deputados da oposição. A Câmara precisava de apoio de dois terços dos parlamentares para dar andamento à destituição; a base governista também havia sinalizado que apoiaria a medida. O anúncio da renúncia ocorreu antes da conclusão da análise legislativa.
A saída de Peña também acontece após a renúncia, na quarta-feira, do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, nomeado pelo chefe de Estado. A crise bancária provocou preocupação entre os clientes, enquanto outras instituições financeiras informaram que recebiam pessoas transferindo suas contas. A Associação de Bancos do Paraguai afirmou que o sistema financeiro seguia operando normalmente.
Peña assumiu a Presidência em agosto de 2023, com mandato previsto até 2028, e sua renúncia abre caminho para uma mudança no comando do Executivo. Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente substitui o presidente quando há vacância do cargo. Pedro Alliana, que também enfrenta um pedido de impeachment da oposição, poderá assumir a Presidência se continuar no posto.
O caso ocorre em um país governado pelo Partido Colorado por quase sete décadas, com exceção do período de Fernando Lugo, que sofreu impeachment em 2012. A crise também coloca em evidência o impacto das denúncias sobre a confiança no setor financeiro paraguaio, em um momento em que o país vinha atraindo investimentos estrangeiros.