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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Santiago Peña anuncia renúncia em meio à crise do Ueno Bank

O anúncio ocorreu enquanto deputados analisavam um pedido de impeachment; a intervenção no banco deixou milhões de clientes, inclusive brasileiros, sem acesso imediato às contas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Clientes diante da entrada fechada de um banco durante uma crise financeira no Paraguai. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Clientes diante da entrada fechada de um banco durante uma crise financeira no Paraguai.
Resumo em 30 segundos

Santiago Peña anunciou que renunciará à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank e à análise de um pedido de impeachment. O Banco Central assumiu o controle da instituição após a queda do índice de solvência. A investigação apura empréstimos suspeitos e aponta prejuízos que podem não ser recuperados.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5, que renunciará ao cargo em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank. A decisão foi comunicada em vídeo, no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados se reuniu para analisar um pedido de impeachment apresentado pela oposição contra Peña e o vice-presidente, Pedro Alliana.

A crise começou na terça-feira, 3, quando o Banco Central do Paraguai (BCP) assumiu o controle do banco e iniciou um processo de resolução. O procedimento permite transferir depósitos de uma instituição em dificuldades para outras antes de liquidar os ativos restantes. No Brasil, mecanismo semelhante é chamado de liquidação extrajudicial.

Segundo o BCP, o índice de solvência do Ueno caiu para menos da metade do mínimo exigido por lei. Esse indicador compara o capital de um banco com seus ativos ponderados pelo risco e ajuda a avaliar sua capacidade de absorver perdas. Com a intervenção, as operações foram suspensas e clientes ficaram sem acesso imediato às contas e aos depósitos.

O Ueno dizia ter cerca de 3 milhões de clientes, aproximadamente 60% da população adulta paraguaia. Uma das reportagens sobre o caso estimou que 2,9 milhões foram afetados; entre eles há brasileiros. O banco também administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo cerca de US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social do Paraguai.

A investigação do BCP identificou indícios de empréstimos acima do limite legal a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco. O Ministério Público suspeita de operações sem garantias suficientes, avaliadas em mais de US$ 167 milhões, e afirma que parte dos valores pode não ser recuperada. Oito dirigentes tiveram a prisão decretada, entre eles o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale, e o executivo Federico Miguel Vázquez Villasanti. Ao todo, 27 pessoas foram formalmente acusadas por crimes como lesão de confiança e tentativa de estelionato.

A oposição acusa Peña de conflito de interesses e de ter tomado decisões regulatórias favoráveis ao Ueno, além de concentrar recursos previdenciários no banco. O presidente foi acionista da Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, e disse ter deixado de ter vínculo com a companhia em março de 2025, após receber o valor correspondente às ações. Ele também afirmou que o caso do banco é isolado e que eventuais responsáveis por irregularidades responderão à Justiça.

A crise atingiu ainda a autoridade monetária. Carlos Carvallo, presidente do BCP, renunciou na terça-feira. Ele havia deixado a presidência do Ueno cerca de dois meses antes de assumir o comando do banco central, em setembro de 2023. O BCP afirmou que Carvallo se afastava das decisões relacionadas à instituição.

No vídeo de renúncia, Peña disse que tomou a decisão para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Também pediu desculpas à população e declarou que sua prioridade era a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro. Ele expressou o desejo de que os depósitos sejam devolvidos e que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade.

O anúncio ocorreu após deputados opositores apresentarem, na quarta-feira, um pedido de impeachment por “mau desempenho de suas funções”, com acusações que incluem conflito de interesses e aumento patrimonial. A renúncia anunciada por Peña ocorre em meio à análise parlamentar do pedido e à investigação criminal sobre as operações do banco.

Fontes: Estadão, Zero Hora

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