Santiago Peña apresenta renúncia em meio à crise do Ueno Bank
A intervenção bloqueou contas de cerca de 3 milhões de clientes; o Banco Central promete começar a devolver os valores nesta sexta-feira.
Resumo em 30 segundos
Santiago Peña apresentou renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank. A medida bloqueou o acesso de cerca de 3 milhões de clientes a contas e investimentos. O Banco Central anunciou que começará a devolver valores nesta sexta-feira, enquanto a crise também preocupa empresas brasileiras no país.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia nesta quinta-feira, em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank, que bloqueou o acesso de clientes a contas e investimentos. A instituição atende cerca de 3 milhões de pessoas, aproximadamente 40% da população do país, e a paralisação também preocupa empresas brasileiras com negócios no Paraguai.
A crise começou depois que órgãos reguladores, incluindo o Banco Central paraguaio, concluíram que o Ueno estava subcapitalizado, com menos da metade da solvência necessária em relação aos investimentos depositados. A intervenção interrompeu o acesso aos recursos e levou paraguaios a protestar pela devolução do dinheiro. O caso também desencadeou uma crise política: houve abertura de um processo de impeachment contra Peña, e oito executivos ou ex-executivos do banco foram presos preventivamente.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña disse que decidiu renunciar para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Ele afirmou que sua prioridade era garantir a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro e pediu desculpas caso tenha falhado com a população. Peña manteve vínculos como investidor em um grupo que controlava o banco e só se desvinculou totalmente da instituição em 2025.
O Banco Central anunciou que começará a devolver valores a clientes nesta sexta-feira. O total informado é de 16 trilhões de guaranis, equivalentes a US$ 2,6 milhões ou cerca de R$ 14 milhões. Clientes que têm conta em outras instituições receberão o dinheiro por meio delas; quem não possui outra conta terá uma conta provisória aberta em outro banco. O Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), mecanismo de proteção a depósitos bancários, também foi citado por Peña como instrumento para preservar os recursos.
Empresários gaúchos que investem no país acompanham os efeitos sobre o sistema financeiro. Roger Maciel, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai e da Russell Bedford Brasil, afirmou que já havia orientado associados a retirar recursos do Ueno diante das investigações. Ele transferiu há um mês o dinheiro de seus negócios para bancos maiores, entre eles Continental e Itaú, e disse esperar rapidez no processo de pagamento aos clientes.
O economista Eduardo Vargas afirmou que há dúvidas sobre a capacidade de outros bancos de financiar a indenização gerada pela quebra do Ueno. Para empresas que dependem do ressarcimento, o ritmo e a extensão dos pagamentos são relevantes. O FGD paraguaio tem função semelhante à do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no Brasil, que protege determinados depósitos em instituições financeiras.
A crise também reacendeu preocupações entre investidores sobre a estabilidade do ambiente de negócios paraguaio. Luis Wulff, CEO do Tax Group, disse que espera a continuidade da Lei de Maquila, regime que reduz impostos para atrair empresas. O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai avaliou que o país pode sair fortalecido se preservar a democracia, mas recomendou atenção aos desdobramentos no sistema financeiro.
Para entender
- Fundo de Garantia de Depósitos
- Mecanismo paraguaio de proteção a depósitos bancários. Foi citado por Peña como instrumento para preservar os recursos dos clientes afetados pela crise do Ueno Bank. No Brasil, uma função semelhante é exercida pelo Fundo Garantidor de Créditos.
- Lei de Maquila
- Regime paraguaio que concede benefícios fiscais a empresas que produzem no país para exportar. A política busca atrair investimentos e é mencionada por empresários como um fator importante para a continuidade dos negócios no Paraguai.