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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Funcionários do ueno bank protestam por salários e indenizações

O banco digital foi fechado pelo Banco Central do Paraguai, e a crise também levou à renúncia do presidente Santiago Peña nesta quinta-feira.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Trabalhadores protestam diante de um prédio público no Paraguai. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Trabalhadores protestam diante de um prédio público no Paraguai.
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Funcionários do ueno bank e de outras empresas do Grupo Vázquez protestaram para cobrar salários atrasados e indenizações. O Banco Central fechou a instituição após apontar operações de crédito suspeitas. A crise também levou à renúncia de Santiago Peña e à saída do presidente do Banco Central paraguaio.

Funcionários do ueno bank e de outras empresas do Grupo Vázquez protestaram nesta quinta-feira diante do Ministério do Trabalho do Paraguai para cobrar salários atrasados e indenizações. O banco digital foi fechado pelo Banco Central do Paraguai (BCP) dois dias antes, e os trabalhadores dizem ter incerteza sobre a continuidade dos empregos. No mesmo dia, o presidente Santiago Peña renunciou em meio à crise provocada pelo caso.

A investigação do BCP aponta que o ueno ultrapassou limites para empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Hendy, ao Grupo M e à Mowi. Para retirar do balanço uma carteira inadimplente avaliada em US$ 74,4 milhões, o banco teria simulado uma venda à vista à Vinanzas S.A., empresa do mesmo conglomerado controlador do banco.

A suspeita é de que a Vinanzas não tinha recursos para pagar pela carteira. Segundo a investigação, o ueno teria emprestado dinheiro a outras empresas, que transferiram os valores à compradora. Também foram identificadas operações com títulos e outras companhias ligadas ao Grupo Vázquez. A fragmentação das transações teria dificultado a fiscalização. A legislação paraguaia proíbe que uma instituição financeira financie, direta ou indiretamente, a compra de ativos por uma empresa vinculada a ela.

O Ministério Público decretou a prisão de oito integrantes da diretoria e de pessoas ligadas ao banco. Seis tiveram prisão preventiva determinada pela Justiça; Mariana Isabel Torres Rubiani e Diana Leticia Mongelós González receberam prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. A investigação alcança 26 pessoas, e outras acusações foram apresentadas contra integrantes do grupo.

Peña havia defendido o banco publicamente e, no mês passado, atribuiu as críticas à instituição a uma campanha difamatória que, segundo ele, causava temor entre a população. Até março de 2025, o presidente tinha participação acionária no Grupo Vázquez. Sob seu governo, o ueno recebeu recursos públicos; até outubro, informava manter cerca de US$ 800 milhões em depósitos de órgãos e entidades estatais, entre eles o Instituto de Previdência Social e instituições ligadas às usinas de Itaipu e Yacyretá.

A crise também atingiu a cúpula do Banco Central, responsável pela supervisão do sistema bancário. Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, antecessora do banco, renunciou ao comando do BCP na terça-feira, a pedido de Peña. O economista Raúl Vera Bogado foi nomeado para substituí-lo. Peña também indicou Pedro Acosta e Edsel González para completar a diretoria de cinco integrantes; as três indicações precisam ser ratificadas pelo Senado.

A renúncia de Peña abriu caminho para a sucessão pelo vice-presidente Pedro Alliana. Pela Constituição paraguaia, o vice substitui o presidente quando o cargo fica vago. Alliana também é alvo de um pedido de impeachment apresentado pela oposição; a destituição exige aprovação de dois terços dos deputados e, depois, de dois terços dos senadores.

Fontes: Valor Econômico, Zero Hora

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