Rogério Marinho e Tereza Cristina buscam candidatura única ao Senado
Aliados tentam evitar a divisão de votos contra Davi Alcolumbre, que busca a reeleição e já conta com apoio de partidos como MDB, PSD, PP e União Brasil.
Resumo em 30 segundos
Aliados de Rogério Marinho e Tereza Cristina negociam uma candidatura única à Presidência do Senado para enfrentar Davi Alcolumbre. O PL pretende oficializar Marinho, apoiado pela família Bolsonaro, enquanto Tereza é vista por parte do Centrão como alternativa para atrair votos de outros partidos. A votação será secreta.
Aliados de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) tentam chegar a um acordo para lançar um único nome contra Davi Alcolumbre (União-AP) na disputa pela Presidência do Senado. A articulação busca evitar que candidaturas concorrentes dividam os votos de oposição e facilitem a reeleição do atual presidente da Casa, que já conta com apoio de partidos como União Brasil, PP, MDB e PSD.
O principal impasse é decidir quem seria o candidato. A família Bolsonaro defende Marinho, enquanto uma ala minoritária do Centrão vê Tereza Cristina como uma alternativa capaz de atrair apoio além do bolsonarismo. A eleição ocorre por votação secreta, o que permite que senadores contrariem a orientação de seus partidos.
O PL marcou uma reunião para a próxima quarta-feira com parlamentares em exercício e eleitos. O encontro deve tratar da estratégia do partido para as eleições às presidências da Câmara e do Senado. A intenção da legenda é oficializar a candidatura de Marinho, mas aliados ainda buscam um entendimento com Tereza para evitar a fragmentação dos votos.
Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte, coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em carta divulgada na quarta-feira, já nos Estados Unidos, o candidato derrotado na eleição presidencial declarou apoio ao parlamentar potiguar e o chamou de seu candidato à Presidência do Senado. Flávio afirmou que pretende liderar a oposição a partir do exterior.
O apoio foi reforçado nesta quinta-feira pelo senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC), que disse que a eleição de Marinho seria importante para a oposição. “O senador Rogério Marinho na Presidência do Senado Federal será fundamental para que a oposição possa cumprir seu papel, enfrentar os desafios que o Brasil exige e promover as mudanças necessárias em defesa da Constituição, da liberdade e dos interesses dos brasileiros”, afirmou em publicação nas redes sociais.
A bancada do PL cresceu nas eleições, mas Marinho precisaria obter votos de outros partidos para vencer. A preferência pública da família Bolsonaro também pode dificultar a construção de apoio entre parlamentares de centro, que são cortejados por Tereza Cristina.
Senadora por Mato Grosso do Sul, Tereza foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e tem relações com parlamentares de centro e representantes do setor agropecuário. Ela já manifestou interesse em se tornar a primeira mulher a presidir o Senado. Sua eventual candidatura, porém, teria de ser avulsa: a federação formada por União Brasil e PP anunciou apoio à recondução de Alcolumbre, embora integrantes das bancadas resistam à decisão.
Após o anúncio, Tereza disse que os 54 senadores eleitos e reeleitos ainda não haviam sido diplomados e deveriam poder participar da definição sobre o comando da Casa. Marinho também contestou a ideia de que a decisão das direções partidárias determine o voto dos parlamentares. “Eu acho que a posição dele não se reflete na bancada”, afirmou, ao comentar o apoio da federação.
Alcolumbre tem buscado consolidar sua candidatura em conversas com senadores eleitos e reeleitos. Além de União Brasil e PP, ele conta com apoio ou sinalizações favoráveis de MDB, PSD e PT. Como o voto é secreto, declarações oficiais dos partidos não garantem que todos os integrantes de suas bancadas sigam a orientação.
O presidente do Senado também enfrenta críticas de parlamentares de direita pela condução de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Para reduzir resistências, tem oferecido gabinetes a senadores e indicado disposição para discutir um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro fator de desgaste são mensagens atribuídas a Alcolumbre e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, extraídas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa. Nas conversas, os dois trocam declarações de amizade; em uma delas, Alcolumbre teria chamado Vorcaro de “irmão” e dito que a relação seria “para a vida toda”. O senador negou irregularidades e afirmou que as mensagens eram pessoais e que era alvo de ataques injustos.
A disputa pelo comando do Senado ganhou peso para o PL após a derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ida de Flávio para os Estados Unidos. O partido busca ampliar sua influência na oposição ao novo governo e vê a presidência da Casa como um posto estratégico. Marinho e Tereza ainda dependem de uma composição capaz de reunir votos de diferentes bancadas para desafiar Alcolumbre.