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Domingo, 25 de outubro de 2026

PL terá maior bancada do Senado e amplia poder de negociação

Com 28 das 81 cadeiras a partir de 2027, partido não terá votos sozinho para maioria absoluta ou para aprovar PECs e precisará negociar apoio.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário do Senado durante uma sessão, com parlamentares nos assentos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Senado durante uma sessão, com parlamentares nos assentos.
Resumo em 30 segundos

O PL elegeu 19 senadores e terá 28 das 81 cadeiras a partir de 2027, a maior bancada da Casa. O partido não alcança sozinho os 41 votos necessários para maioria absoluta nem os 49 exigidos para aprovar uma PEC. O governo também precisará negociar apoio para avançar propostas e indicações.

O PL terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 28 das 81 cadeiras, após eleger 19 dos 54 senadores escolhidos neste ano. O resultado amplia a presença do partido, que hoje tem 15 vagas, e ocorre após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, neste domingo (25). A sigla é a mesma do adversário derrotado de Lula, Flávio Bolsonaro.

Com 34,6% das cadeiras, o PL não terá maioria absoluta por conta própria: esse patamar exige 41 votos. Para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC), são necessários 49 votos. A nova composição, portanto, não garante ao partido controle automático das decisões, mas aumenta seu peso nas negociações e deixa o governo dependente de alianças com outras bancadas.

PP e União Brasil somam 12 senadores e formam, juntos, a Federação União Progressista. No Senado, porém, os dois partidos são contabilizados separadamente. MDB, PSD e parlamentares de outras siglas também podem ser interlocutores do governo em votações específicas, segundo a cientista política Karolina Roeder, professora da Uninter.

“O Lula provavelmente vai depender novamente de partidos do Centrão para poder passar suas pautas”, afirmou Roeder. A cientista política Clarisse Gurgel, professora de Ciências Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), observou que o tamanho de uma bancada não basta para assegurar maioria: é preciso reunir quórum e negociar apoio de outros partidos a cada proposta.

A disputa por espaço deve passar também pelo comando do Senado. O presidente da Casa tem influência sobre a pauta de votações, pode abrir comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e conduz a análise de indicações feitas pelo presidente da República para cargos que dependem de aprovação dos senadores. Entre eles estão vagas no Supremo Tribunal Federal (STF), na Procuradoria-Geral da República e postos de direção no Banco Central.

Indicações ao STF precisam receber ao menos 41 votos no plenário. Roeder avalia que Lula poderá encontrar mais resistência nesse tipo de votação, com a chegada de parlamentares identificados com pautas conservadoras e críticos à Corte. A mesma composição pode dificultar projetos do Executivo, embora o resultado de cada votação dependa das alianças formadas no momento.

Uma das propostas que seguem em discussão é a PEC da Segurança Pública, iniciativa do governo que saiu da pauta em 15 de outubro para que os senadores tentassem construir acordo sobre emendas. Entre os pontos debatidos estão mudanças na maioridade penal e na atuação das Forças Armadas na segurança pública. Gurgel afirmou que o tema requer mais tempo de discussão e deve ser analisado em conjunto com questões econômicas e sociais.

A votação que extinguiu a escala 6x1 também foi citada por Roeder como exemplo da disputa por apoio no Senado. Na avaliação dela, a decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), de pautar a proposta perto do fim da campanha se relacionou à disputa pela sucessão no comando do Senado e à tentativa de partidos de centro de preservar influência.

A renovação das cadeiras também deve trazer parlamentares sem experiência anterior na Casa. Roeder afirmou que o período de adaptação às regras e aos processos legislativos pode tornar mais lento o trabalho no início da nova legislatura.

Fontes: Valor Econômico, Folha de S.Paulo

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