PSD de Gilberto Kassab perde espaço no Congresso e fica neutro
A sigla elegeu quatro governadores no primeiro turno, mas terá cinco senadores em 2027 e tenta preservar poder de negociação entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Resumo em 30 segundos
O PSD dobrou o número de governadores eleitos no primeiro turno em relação a 2022, mas terá uma bancada menor no Senado e pouco mudou sua representação na Câmara. Neutro no segundo turno presidencial, o partido busca manter diálogo com Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto a disputa no Amazonas ainda pode ampliar seus governos estaduais.
O PSD terminou as eleições de 2026 com quatro governadores eleitos no primeiro turno, o dobro do resultado de 2022, mas perdeu espaço no Senado e teve desempenho pouco expressivo na disputa presidencial. A legenda presidida por Gilberto Kassab também perdeu eleições em estados importantes, como Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e decidiu não apoiar nenhum dos candidatos que disputarão o segundo turno no próximo domingo, 25.
A neutralidade permite que o partido mantenha canais de negociação com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), mas o tamanho menor das bancadas pode limitar sua influência. O cientista político Lucas Fernandes, coordenador de análise política federal na BMJ Consultoria, afirmou que a posição preserva a possibilidade de conversar com os dois lados, embora em condições distintas.
Na Câmara dos Deputados, o PSD elegeu 43 representantes, um a mais que em 2022, apesar de ter recebido 13% mais votos para deputado federal, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após a filiação de novos parlamentares na janela partidária, a sigla chegou a 48 deputados. No Senado, porém, a bancada cairá de 14 para cinco integrantes a partir de 2027.
O partido ainda pode ampliar sua presença entre os governos estaduais. O senador Omar Aziz (PSD) disputa o governo do Amazonas, e uma vitória aumentaria o número de governadores da sigla. Os quatro eleitos no primeiro turno representam avanço em relação aos dois de 2022.
No Paraná, Sandro Alex (PSD), ex-secretário estadual e candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), perdeu no primeiro turno para Sergio Moro (PL). Em São Paulo, o distanciamento entre Kassab e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pode reduzir o espaço do PSD na administração estadual. A presença no governo paulista havia ajudado Kassab a atrair prefeitos e fortalecer a legenda nos municípios.
A estratégia do partido varia conforme os estados. Embora Kassab tenha descrito o PSD como uma legenda de centro-direita, a sigla integrou coligações com o PT em dez estados, incluindo as campanhas vitoriosas de Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; e Rafael Fonteles, no Piauí.
Fernandes afirmou que, em uma eleição polarizada, partidos sem uma marca nacional forte têm dificuldade para transferir votos a candidatos estaduais. Segundo ele, ainda há espaço para uma legenda de centro negociar com os dois campos, mas essa capacidade depende da força de suas bancadas e da quantidade de governos estaduais que controla.
O crescimento do PL também contribuiu para a redução da representação do PSD no Congresso. O partido de Flávio Bolsonaro conquistou as maiores bancadas da Câmara e do Senado, avanço que atingiu outras legendas do Centrão, como União Brasil, PP, Republicanos e MDB. Essas siglas declararam apoio a Flávio, enquanto o PSD manteve neutralidade.
O resultado do segundo turno poderá alterar o poder de negociação da legenda. Se Lula vencer, a necessidade de formar maioria em um Congresso mais à direita pode levar o governo a negociar ministérios, cargos e recursos orçamentários com partidos de centro. Se Flávio vencer, a avaliação de Fernandes é que o PSD teria acesso ao governo, mas em posição secundária, diante do apoio eleitoral dado por outras siglas à candidatura do PL.
O PSD afirmou que “segue sua trajetória de crescimento e já se consolida como a principal legenda de centro do país”.