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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Manifestantes protestam contra atuação da Meta na eleição de 2026

O ato ocorreu após o TSE dar 24 horas para a empresa comprovar que cumpriu decisão sobre distribuição de conteúdo político e anúncios eleitorais.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Manifestantes com cartazes em frente a um prédio comercial em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Manifestantes com cartazes em frente a um prédio comercial em São Paulo.
Resumo em 30 segundos

A manifestação em frente à sede da Meta, em São Paulo, cobrou transparência, canais de recurso e reparação por restrições que os organizadores atribuem à empresa. No mesmo dia, o TSE deu 24 horas para a companhia comprovar o cumprimento de uma decisão sobre tratamento de conteúdos políticos e anúncios eleitorais. A ANPD também pediu esclarecimentos à Meta.

Manifestantes e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protestaram nesta segunda-feira (19) em frente à sede da Meta, em São Paulo, contra o que consideram interferências da empresa na eleição presidencial. O ato ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 24 horas para a companhia demonstrar que cumpriu uma decisão sobre igualdade de tratamento na distribuição de conteúdo político e em anúncios eleitorais durante o segundo turno.

Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência, recorreram à Justiça Eleitoral alegando que publicações de suas campanhas foram prejudicadas nas plataformas da empresa. O TSE determinou que a Meta cumpra as medidas nos prazos fixados pela Corte; ministros afirmaram que a companhia não pode estabelecer por conta própria um prazo diferente, ampliando de 72 horas para cinco dias o período de cumprimento.

Os organizadores disseram que a manifestação cobra o fim de banimentos e restrições, mais transparência e reparação dos danos que atribuem à atuação da empresa. Também defendem a criação de canais de recurso e de medidas de proteção para jornalistas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

A mobilização previa a entrega de uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil. O documento pede, entre outras medidas, que a empresa veicule no Instagram um anúncio no formato “Megafone”, dirigido aos usuários brasileiros, reconhecendo que falhas durante a eleição de 2026 afetaram a distribuição e a disponibilidade de conteúdos de usuários e campanhas, com prejuízo especial para Lula.

Entre as demais reivindicações estão a retirada de anúncios eleitorais ilegais pagos do exterior, a criação de um painel público de transparência e de um canal de revisão pública conduzido por pessoas. Os manifestantes também pedem a restauração de conteúdos removidos e contas suspensas por manifestações políticas que consideram legítimas, além de uma investigação interna sobre as violações apontadas.

Na semana passada, o TSE acolheu um pedido da campanha de Lula, que acusou a Meta de limitar seletivamente a circulação de publicações ligadas ao seu campo político e de descumprir obrigações eleitorais. A coligação também questionou restrições ao impulsionamento de anúncios e possíveis diferenças no tratamento dispensado às candidaturas. Impulsionar uma publicação significa pagar para ampliar sua distribuição e alcançar mais usuários.

A empresa reconheceu na sexta-feira (16) falhas que afetaram a produção e a divulgação de conteúdos relacionados a Lula, mas negou favorecimento político e pediu ao TSE que arquive a representação. A Meta afirmou que o problema nas métricas foi global e que, naquele dia, a distribuição de conteúdos do presidente ficou acima de seu padrão. “Tratou-se de um evento técnico, e não de uma ação direcionada a uma campanha política específica”, declarou.

O ministro Marco Aurélio Bellizze proibiu a Meta de reduzir sem justificativa o alcance de conteúdos políticos de Lula e Flávio e determinou que a ferramenta de inteligência artificial da empresa não favoreça um candidato. A disputa envolve também a atuação das plataformas na moderação, processo que inclui avaliar denúncias, remover publicações e suspender contas.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu cinco dias úteis para a Meta responder a questionamentos sobre possíveis violações de direitos de usuários em suspensões de contas, remoção de publicações e restrições de alcance. Os ofícios foram enviados nesta segunda-feira, após a abertura de um procedimento administrativo na sexta-feira (16).

A apuração da ANPD foi motivada por uma manifestação do Ministério Público Federal, denúncias de organizações da sociedade civil e petições de cidadãos. A agência quer esclarecimentos sobre os critérios usados para receber denúncias, retirar conteúdo e suspender perfis, além das informações repassadas aos afetados e das formas de recurso contra decisões automatizadas. Também questiona como a empresa evita o uso abusivo dos mecanismos de denúncia.

Um estudo da Universidade Federal do Paraná examinou oito episódios relacionados a plataformas digitais na eleição, incluindo bloqueios de contas, remoções de conteúdo, falhas em métricas e respostas de inteligência artificial. Em seis, os pesquisadores identificaram efeitos contra a campanha de Lula ou contra conteúdos críticos a Flávio; os outros dois envolveram uma falha global na contagem de visualizações e anúncios irregulares contra ambos.

O levantamento não concluiu que houve interferência deliberada das empresas. Os autores afirmaram que os dados públicos não permitem demonstrar uma intenção de favorecer um candidato, embora a concentração de episódios com efeitos identificáveis contra um dos lados justifique investigação.

Entre os casos analisados estão a remoção do perfil “Revelando Brasil”, que havia publicado um vídeo do humorista Fábio Porchat sobre as relações de Flávio com o Banco Master. A Meta reconheceu o erro, pediu desculpas e restabeleceu a conta em poucas horas. O estudo também registrou publicações removidas e alcance limitado no site Pragmatismo Político, além de testes em que a Meta AI no WhatsApp recusou criar uma imagem com “Lula 13”, mas aceitou “Flávio 22”; o pedido com o nome completo do senador também foi recusado.

Os pesquisadores coordenados por Rafael Cardoso Sampaio, do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade, analisaram notícias dos primeiros 60 dias de campanha. O conjunto reuniu 856 textos de 291 veículos, publicados entre 16 de agosto e 14 de outubro; a equipe selecionou 101 reportagens sobre 16 casos, incluindo denúncias ainda não verificadas, ações de usuários e disputas judiciais.

Fontes: O Globo, Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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