Exército prevê assinar contrato do obuseiro Atmos 2000 em 27 de outubro
O contrato prevê duas unidades experimentais do sistema israelense, com montagem pela Avibras; a compra de outras 34 viaturas dependerá de avaliações.
Resumo em 30 segundos
O Exército prevê assinar em 27 de outubro um contrato de cerca de R$ 800 milhões para receber duas unidades experimentais do obuseiro Atmos 2000, fabricado pela Elbit Systems. A Avibras deverá montar os protótipos e poderá produzir outras 34 viaturas, caso o projeto avance após avaliações da Força.
O Exército prevê assinar em 27 de outubro, em Brasília, um contrato para receber as duas primeiras unidades do obuseiro Atmos 2000, sistema de artilharia fabricado pela israelense Elbit Systems. A montagem dos protótipos e a produção das demais unidades previstas deverão envolver a brasileira Avibras, em Jacareí (SP), caso o projeto avance para a etapa seguinte.
O Atmos 2000 é um obuseiro autopropulsado de calibre 155 milímetros, instalado sobre rodas. O contrato inicial trata de um lote experimental de duas viaturas, que será usado para avaliar a versão destinada ao Exército. A assinatura está prevista para ocorrer no salão de honra do Comando de Logística da Força Terrestre, em Brasília.
A contratação havia sido suspensa em 2024, em meio à crise diplomática entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu por causa da guerra em Gaza. O Itamaraty considerava que a compra poderia representar um financiamento indireto ao esforço de guerra israelense.
A seleção do sistema era analisada desde 2022 por órgãos do Exército, entre eles o Comando de Logística, o Departamento de Ciência e Tecnologia e o Estado-Maior. O contrato, estimado em R$ 800 milhões, voltou a avançar depois que a Elbit e a AEL Sistemas, sua subsidiária brasileira, propuseram a participação da Avibras na fabricação.
Pelo entendimento entre as empresas, a Avibras ficaria responsável pela montagem das duas unidades experimentais e pela produção de outras 34 viaturas, se essa etapa for autorizada. A proposta foi apresentada ao Comando de Logística no fim de agosto e passou por análise jurídica. Como a licitação já permitia a parceria com uma empresa brasileira, sem indicar qual, o Exército entendeu que a inclusão da Avibras não exigiria alteração das cláusulas aprovadas em 2024.
A munição de 155 milímetros deverá ser produzida pela Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), vinculada ao Exército. A configuração brasileira do Atmos deverá usar chassis Tatra, como os veículos do sistema Astros, segundo o planejamento descrito para o projeto.
A participação da Avibras se relaciona à tentativa de reativar a fabricante, que estava em recuperação judicial havia quatro anos e enfrentava atrasos salariais. A empresa retomou a produção de munições em maio e firmou um contrato de R$ 300 milhões com o Exército para fornecer novos mísseis e foguetes.
A Avibras é apontada como a única fabricante de propelente sólido para foguetes e mísseis na América Latina. O propelente sólido é o material que gera a força necessária para impulsionar esses armamentos. A empresa também desenvolve um míssil tático de cruzeiro e poderia trabalhar em um míssil balístico e em drones, de acordo com o plano citado para sua recuperação.
O Ministério da Defesa buscava evitar que a fabricante passasse ao controle de investidores estrangeiros. A expectativa de vendas externas de foguetes, mísseis e drones havia despertado interesse de grupos de outros países. O ministro da Defesa, José Múcio, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), os comandantes das três Forças e os empresários Joesley e Wesley Batista participaram das articulações relacionadas à recuperação da empresa.
A compra do Atmos ainda não significa a confirmação das 34 unidades adicionais. Depois de receber os dois protótipos, o Exército deverá avaliar a compensação industrial prevista, chamada de offset, além da cadeia logística, da integração dos sistemas à artilharia da Força e da comprovação do preço. Offset é a contrapartida negociada com o fornecedor, que pode incluir transferência de tecnologia ou produção local.
O equipamento não precisará passar pelos testes do Centro de Avaliações do Exército, pois já tem certificação internacional. Concluídas as análises posteriores ao lote experimental, o Exército poderá firmar um segundo contrato para a produção das 34 unidades. Essa etapa, conhecida como lote serial, é esperada para 2027.