Lula promete abrir sigilos e desafia Flávio a fazer o mesmo
Presidente diz que levará nesta terça-feira ao TSE dados bancários e telefônicos próprios e dos cinco filhos; senador afirma que suas contas estão declaradas.
Resumo em 30 segundos
Lula afirmou que entregará ao presidente do TSE documentos para abrir seus sigilos bancário e telefônico e os de seus cinco filhos. Ele desafiou Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo com os dados dele, da família e das empresas. O senador disse que seus bens e rendimentos estão declarados à Receita Federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que pretende entregar ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, documentos para abrir seus sigilos bancário e telefônico e os de seus cinco filhos. Em Porto Alegre, onde participou de um ato de campanha, ele também desafiou o senador Flávio Bolsonaro a apresentar informações equivalentes sobre si, sua família e suas empresas, em meio à campanha presidencial.
Lula disse que pretende fazer a entrega nesta terça-feira. A proposta foi apresentada no debate da Band, realizado no domingo, e repetida pelo presidente depois do programa. Ele afirmou que manterá o desafio até o próximo debate entre os dois, marcado para sexta-feira, na TV Globo.
“Estou mandando para o presidente do TSE abrindo meu sigilo telefônico, meu sigilo bancário e da família e dos meus cinco filhos”, afirmou Lula. O presidente é pai de Fábio Luís, conhecido como Lulinha, Lurian, Marcos, Sandro e Luis Claudio.
O senador respondeu que suas contas estão “abertas” e que seus bens e rendimentos são declarados à Receita Federal. Durante o debate, Flávio também ironizou a proposta de acesso ao sigilo telefônico, dizendo que Lula não tem celular. O presidente costuma se comunicar por aparelhos usados pelo ajudante de ordens e pela primeira-dama, Janja da Silva.
A discussão sobre os sigilos foi parte de um confronto marcado por acusações de corrupção e provocações pessoais. Lula disse que queria demonstrar que não protege familiares e afirmou que não aceitaria ser chamado de ladrão. Flávio questionou se o presidente conhecia Roberta Luchsinger, lobista investigada junto com Lulinha. Lula respondeu que ela é “assunto da Polícia Federal”.
O presidente também citou o caso Master e perguntou sobre R$ 134 milhões pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio é investigado no caso, segundo a discussão relatada durante o debate. As acusações apresentadas pelos candidatos não equivalem, por si só, a uma condenação.
Em uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira, Lula disse ter ficado “muito incomodado” com o debate e afirmou que Flávio teria sido preparado para mentir e desrespeitar os eleitores. O senador, por sua vez, disse no programa que havia rebatido afirmações falsas feitas pelo presidente. O debate foi o primeiro confronto direto entre os dois nesta eleição.
A abertura de sigilo bancário permite acesso a dados protegidos sobre movimentações e contas financeiras; a de sigilo telefônico pode envolver registros de comunicações. A Constituição protege a intimidade e a vida privada, e o acesso a informações protegidas pode depender de autorização judicial, conforme o tipo de dado e a situação. A declaração pública de intenção de entregar documentos não esclarece, por si só, quais informações serão fornecidas nem em que condições o tribunal poderá recebê-las.
O próximo encontro de Lula e Flávio está previsto para sexta-feira, na TV Globo. A eleição presidencial terá o segundo turno no domingo, dia 25.