Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PM de São Paulo investiga abordagem de jovens com camisetas do PT

Um dos detidos afirmou à Polícia Civil que os agentes pediram que eles vestissem as peças; a Ouvidoria pediu o afastamento dos policiais envolvidos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Camisetas vermelhas dobradas em primeiro plano e uma viatura ao fundo em uma rua de comunidade. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Camisetas vermelhas dobradas em primeiro plano e uma viatura ao fundo em uma rua de comunidade.
Resumo em 30 segundos

A Polícia Militar abriu investigação preliminar sobre a abordagem de três jovens detidos por suspeita de tráfico em Piracicaba. Um deles afirmou à Polícia Civil que os agentes pediram que vestissem camisetas do PT. Testemunhas e a mãe do adolescente também relataram agressões. A Ouvidoria pediu informações à Corregedoria e o afastamento dos policiais envolvidos.

A Polícia Militar de São Paulo abriu uma investigação preliminar sobre a abordagem que terminou com três jovens detidos por suspeita de tráfico de drogas na comunidade Pantanal Vitória, em Piracicaba, nesta quarta-feira (21). A apuração foi iniciada após denúncias de que agentes teriam obrigado os jovens a vestir camisetas do PT antes de serem filmados; um deles relatou essa versão à Polícia Civil nesta quinta-feira (22).

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o Comando de Policiamento de Área 9 (CPA-9), responsável pela região, instaurou o procedimento para apurar suspeitas de irregularidades na ação. A pasta disse que os policiais chegaram aos jovens após uma denúncia feita pelo telefone 190, que descrevia os suspeitos.

Segundo a SSP, o adolescente de 17 anos estava com 23 porções de cocaína. Os dois homens, de 21 e 24 anos, foram encontrados com um revólver e outras 137 porções da droga. A secretaria afirmou que não compactua com desvios de conduta e orientou possíveis vítimas a registrar denúncias em delegacias, pela Delegacia Digital ou na Corregedoria da Polícia Militar.

Uma testemunha que mora na comunidade e pediu anonimato afirmou ter visto os policiais retirarem os três jovens de uma casa. Ela disse que eles vestiam roupas comuns, sem mensagens partidárias, e que as camisetas do PT foram recolhidas de três militantes que passavam pelo local. As mulheres, ligadas à deputada estadual Professora Bebel (PT), atuavam voluntariamente na campanha pró-Lula e usavam peças com a frase “Professores e professoras da Apeoesp com Lula”.

A Apeoesp é o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, presidido por Bebel. Segundo a testemunha, policiais abordaram as militantes e mandaram duas delas retirar as camisetas. Ela afirmou que os agentes também pediram que buscassem uma terceira peça na casa de uma das mulheres. Depois, soube que os jovens detidos vestiam camisetas iguais às recolhidas durante a ação.

A testemunha relatou ainda que um dos policiais a questionou sobre seu destino e fez ofensas por causa da camiseta. Em depoimento à Polícia Civil, um dos jovens também afirmou que os agentes pediram que eles vestissem as peças depois da abordagem.

Edna Souza, mãe do adolescente apreendido, disse em entrevista à TV Todo Dia que policiais entraram em sua casa à procura do filho e o agrediram. Ela afirmou que uma filha de 14 anos também foi atingida no peito por um policial quando tentou intervir. Segundo Edna, o adolescente foi levado para outra comunidade, onde teria sido novamente agredido, e vestiu uma camiseta com mensagem de apoio a Lula que, afirma, não usava antes da ação.

A SSP declarou que não havia registros dos fatos relatados na comunidade Pantanal Vitória. A Ouvidoria da Polícia do Estado informou que recebeu a denúncia e abriu um protocolo para pedir à Corregedoria da PM informações sobre as providências tomadas. A Ouvidoria também solicitou o afastamento imediato dos policiais envolvidos enquanto o caso é apurado.

Em nota, a Ouvidoria afirmou que as acusações podem envolver violações de direitos, como abuso de autoridade, constrangimento ilegal e violência policial. Também mencionou a possibilidade de tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante, caso as denúncias sejam confirmadas. A investigação preliminar da PM e a apuração da Corregedoria são procedimentos distintos: a primeira verifica inicialmente a atuação dos agentes, enquanto a segunda é o órgão de controle disciplinar da corporação.

O caso ganhou repercussão depois que Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e senador eleito, publicou imagens dos jovens usando as camisetas. Derrite afirmou que quis chamar atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico e que sua publicação não mencionou as roupas. Ele também defendeu que os fatos sejam apurados pelos órgãos competentes.

O Partido dos Trabalhadores acionou o Ministério Público Eleitoral. Na representação, advogados da sigla afirmam que a produção e a divulgação das imagens poderiam associar o partido e a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva ao crime. A deputada Professora Bebel também classificou o episódio como uma armação e afirmou que policiais teriam agredido militantes para pegar as camisetas.

A SSP orientou que eventuais vítimas formalizem as denúncias pelos canais oficiais. A Ouvidoria pediu informações à Corregedoria e solicitou o afastamento dos agentes, enquanto a investigação preliminar da PM deve apurar as circunstâncias da abordagem e das imagens divulgadas.

Para entender

Apeoesp
Apeoesp é a sigla do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. A entidade representa profissionais da rede pública estadual de ensino e aparece no caso porque as camisetas recolhidas tinham uma mensagem de apoio a Lula atribuída a professores ligados ao sindicato.

Fontes: O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também