Walkie-talkie das Guerreiras do K-pop pode captar outras conversas
A mãe registrou boletim de ocorrência após ouvir vozes no brinquedo; rádios simples podem captar transmissões na mesma frequência e ao alcance.
Resumo em 30 segundos
Uma moradora de Porto Alegre relatou ter ouvido vozes de desconhecidos no walkie-talkie de brinquedo da filha, de quatro anos, e registrou boletim de ocorrência. Um professor explica que aparelhos básicos podem compartilhar frequências com outros equipamentos próximos, sem garantir privacidade. O vídeo do caso passou de 19 milhões de visualizações.
Uma moradora de Porto Alegre registrou um boletim de ocorrência depois de ouvir vozes de desconhecidos no walkie-talkie de brinquedo usado pela filha de quatro anos. O relato, publicado em vídeo nas redes sociais na última sexta-feira (16), ultrapassou 19 milhões de visualizações até terça-feira (19).
A mãe contou que comprou o aparelho, temático das Guerreiras do K-pop, alguns meses antes. Na semana passada, enquanto estava com a filha, ouviu um chiado e, em seguida, um homem perguntar: “oi, está aí?”. O vídeo registra também uma criança dizendo “papai” e o homem se identificando como “o lobo cinzento”.
Segundo o relato publicado pela moradora, ela perguntou quem falava e ouviu como resposta: “é o lobo cinzento que vai pegar o teu filho”. A delegada Luciana Smith, responsável pela 12ª Delegacia de Polícia Civil, informou que avalia a ocorrência. O caso poderá ser encaminhado à Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca).
O episódio está relacionado ao funcionamento de alguns radiocomunicadores simples. O professor de Engenharia e Computação da Universidade La Salle (Unilasalle), Artur Severo, explicou que aparelhos básicos podem operar sem codificação ou seleção segura de grupos. Nesse tipo de sistema analógico, qualquer equipamento na mesma frequência e dentro do alcance pode transmitir e receber mensagens.
Há frequências licenciadas, reservadas a serviços que precisam de autorização, e faixas não licenciadas, que podem ser usadas por diferentes equipamentos sem uma licença individual. Radiocomunicadores não profissionais estão entre os dispositivos que podem compartilhar essas faixas. Por isso, uma conversa feita nesses aparelhos não deve ser considerada privada.
O alcance varia conforme a potência do transmissor, a sensibilidade do receptor e as condições do ambiente. Para o modelo mostrado no vídeo, o fabricante informa alcance de até 500 metros. Em equipamentos mais potentes, a comunicação pode chegar a quilômetros, segundo Severo.
A moradora afirmou no relato que imaginava que o brinquedo funcionasse como um telefone sem fio, com comunicação restrita entre os aparelhos entregues um ao outro. Severo disse que sistemas profissionais podem oferecer códigos e configurações para grupos, mas recomendou não usar aparelhos básicos para conversas privadas. Comentários de professoras na publicação também relataram que pessoas desconhecidas já entraram em conversas feitas com radiocomunicadores em escolas.
O nome “Guerreiras do K-pop” identifica o tema do brinquedo, mas não indica que o aparelho tenha uma rede exclusiva. Como outros walkie-talkies simples, ele pode captar transmissões compatíveis que ocorram na mesma frequência e estejam ao alcance do receptor.