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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Baixada Fluminense impulsiona a direita e Zona Sul consolida apoio à esquerda

No primeiro turno de 4 de outubro, Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro tiveram forte desempenho na Baixada, enquanto Lula venceu em todos os bairros da Zona Sul carioca.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vista urbana do Rio de Janeiro, com eleitores genéricos próximos a um local de votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vista urbana do Rio de Janeiro, com eleitores genéricos próximos a um local de votação.
Resumo em 30 segundos

O resultado do primeiro turno mostrou diferenças entre a capital fluminense e a Baixada. Lula venceu em todos os bairros da Zona Sul, enquanto Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro obtiveram quase 60% dos votos na Baixada. A região ajudou Ruas a superar Eduardo Paes no estado, apesar de ficar atrás dele na capital.

O resultado do primeiro turno no Rio de Janeiro expôs diferenças entre a capital e a Baixada Fluminense: Lula teve vantagem nos bairros mais valorizados da cidade, enquanto candidatos do Partido Liberal (PL) concentraram votos nos municípios da região metropolitana. A votação também consolidou a Zona Sul carioca como reduto progressista e contribuiu para a vitória de Douglas Ruas ao governo estadual e a eleição de Carlos Jordy e Portinho ao Senado.

No Leblon, que integra a 17ª zona eleitoral com Ipanema e Copacabana, Lula obteve 49,81% dos votos, ante 39,49% de Flávio Bolsonaro. Já em Paciência, bairro da capital com o menor valor de moradia, o candidato do PL superou 56%, e o atual presidente ficou com 35%. Lula venceu em todos os bairros da Zona Sul, que inclui áreas como Flamengo, Gávea, Copacabana e Ipanema.

O padrão se repetiu na disputa pelo governo estadual, embora com candidatos diferentes. No Leblon e em Ipanema, Ruas recebeu 29,92% dos votos, enquanto Eduardo Paes, do Partido Social Democrático (PSD), alcançou 63,77%. Em São Conrado, Gávea e Jardim Botânico, Paes chegou a quase 70%.

A vitória de Ruas em primeiro turno foi sustentada sobretudo pelo desempenho fora da capital, com destaque para a Baixada Fluminense. O estado tem 92 municípios, e a cidade do Rio reúne quase 40% do eleitorado fluminense. A Baixada, composta por 13 municípios, entre eles Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo e Nilópolis, concentra outro contingente importante de eleitores.

No pleito do último dia 4, os municípios da Baixada, que somam cerca de 22% do eleitorado estadual, deram quase 60% dos votos a Ruas e Flávio Bolsonaro. O resultado ajudou o candidato ao governo a superar Paes no estado, apesar de ter ficado atrás do ex-prefeito na capital. Carlos Jordy e Portinho, ambos do PL, também foram eleitos senadores.

A mudança contrasta com a trajetória política da região. Nos anos 1980 e 1990, a Baixada foi uma base do Partido dos Trabalhadores (PT) e da esquerda ligada a Leonel Brizola. Até 2014, Dilma Rousseff recebia votação expressiva ali. Agora, o avanço de candidaturas conservadoras dificulta a expansão de Paes e de forças de esquerda no conjunto do estado.

O cientista político Leandro Consentino relaciona a votação dos bairros ricos a fatores como escolaridade, valores e maior contato com diferentes referências culturais. Segundo ele, eleitores mais cosmopolitas podem se mostrar mais receptivos a posições progressistas. O fenômeno, afirma, não se limita ao Rio: cidades como São Francisco, Los Angeles e Nova York também são descritas como centros de apoio à esquerda nos Estados Unidos.

Consentino avalia que a presença de eleitores de renda alta ao lado da esquerda não é incompatível com a imagem do PT como partido ligado aos mais pobres. Para ele, a esquerda também encontrou apoio histórico entre setores de classe média e alta, especialmente entre pessoas com valores progressistas. Na Baixada e no interior, por outro lado, o peso da religião e de posições conservadoras ajuda a explicar a preferência pela direita.

O cientista político também atribui a perda de espaço da esquerda entre parte da classe média baixa a uma mudança de prioridades. Em sua avaliação, o debate político se deslocou para temas de identidade, enquanto muitos eleitores desse segmento buscam ascensão econômica com menor dependência do Estado. Ele diz que a esquerda precisa compreender tanto as crenças religiosas e sociais quanto as expectativas econômicas desse público.

A votação para o Senado mostrou outra divisão dentro do eleitorado progressista. Monica Benicio, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), viúva de Marielle Franco, terminou em quinto lugar, com menos de 10% dos votos no estado. Ainda assim, teve resultados mais fortes em áreas valorizadas: recebeu quase 23% na região eleitoral do Flamengo e 17% na da Gávea; no Leblon, alcançou 17%, em Copacabana e no Leme, 18%, e em Laranjeiras, 24%. Em algumas áreas do interior, ficou abaixo de 4%.

Consentino vê nesses números um sinal de que parte do eleitorado de maior renda se identifica com pautas identitárias. O espaço futuro desse campo, segundo ele, dependerá da reorganização da esquerda depois de Lula e de quem conduzir o movimento. A escolha, afirmou, será entre uma orientação mais pragmática, com ênfase também em temas trabalhistas, e uma atuação mais concentrada em pautas identitárias.

Para entender

Baixada Fluminense
Região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, formada por municípios situados no entorno da capital. Entre eles estão Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo e Nilópolis.

Fontes: Gazeta do Povo

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