Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Protestos na França ganham força em meio a distúrbios e slogan irônico

A frase mistura árabe e francês e surgiu em mensagens no Snapchat; estudantes a usam para ironizar suspeitas de monitoramento policial.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Manifestantes participam de um protesto estudantil em uma rua de uma cidade francesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Manifestantes participam de um protesto estudantil em uma rua de uma cidade francesa.
Resumo em 30 segundos

Protestos estudantis na França, iniciados por reivindicações ligadas à educação, se ampliaram e se juntaram a uma mobilização nacional. Em meio a distúrbios, manifestantes adotaram a frase “Bismillah, c’est les ténèbres”, que teria surgido em mensagens no Snapchat. A origem das mensagens não foi confirmada, e a polícia francesa é alvo de denúncias de má conduta.

Os protestos estudantis na França, iniciados no mês passado por reivindicações ligadas à educação, ganharam força no último fim de semana e se misturaram a uma mobilização nacional de sindicatos e outros grupos. Centenas de milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades, e os atos terminaram com confrontos e uma onda de tumultos; nesse contexto, a frase “Bismillah, c’est les ténèbres” tornou-se um lema sarcástico entre manifestantes.

A expressão combina “bismillah”, saudação árabe que significa “em nome de Deus”, com a frase francesa “é a escuridão”. Ela teria surgido em mensagens no Snapchat, enviadas por alguém que tentava entrar em uma sala privada de conversa usada por organizadores estudantis. Depois de saudar os participantes, a pessoa escreveu: “Vamos quebrar tudo”.

As mensagens apareceram repetidas vezes, aparentemente por meio de perfis diferentes, alguns com nomes como Mamadou e Abdellah e outros com emojis da bandeira da Argélia. Usuários fizeram capturas de tela e as divulgaram nas redes sociais. A origem das mensagens não foi confirmada, mas jovens suspeitaram que fossem uma tentativa policial de se infiltrar no movimento.

Os manifestantes passaram a usar a frase para ironizar o que consideraram uma abordagem desajeitada das autoridades. O Ministério do Interior não informou se agentes haviam escrito aquelas mensagens, mas afirmou que investigadores podem usar identidades falsas na internet para se comunicar com suspeitos de organizar atividades ilegais durante protestos. “Nesse contexto, o investigador tem a opção de criar um pseudônimo”, disse o ministério em nota, para obter e preservar comunicações que possam servir como prova em processos judiciais.

Sabrine Kharbach, porta-voz de uma organização estudantil francesa, afirmou que a frase foi apropriada pelos jovens para mostrar que percebem as tentativas de monitoramento e infiltração. Segundo ela, o slogan também expressa a capacidade dos estudantes de se organizar apesar dessas ações. A mistura de árabe e francês buscaria imitar uma forma coloquial de falar associada a muitos jovens no país.

Para alguns estudantes, a mensagem também reproduziu estereótipos sobre quem estaria por trás de depredações. Sadanee Sabadi, universitária que participou dos protestos em Bordeaux, disse que as conversas revelavam preconceito sobre o perfil de quem seria suspeito de organizar bloqueios ou planejar saques. Phèdre Quémener, estudante do ensino médio em Paris, afirmou que a frase se tornou uma piada nacional por parecer uma imitação ruim da fala dos jovens e por associar pessoas árabes à destruição de propriedades.

A discussão ocorre em meio a tensões antigas entre a polícia e manifestantes, sobretudo estudantes e pessoas não brancas. Franceses negros, árabes e descendentes de imigrantes de antigas colônias relatam há muito tempo sofrer discriminação e ser incompreendidos pelas autoridades. O slogan também apareceu em manifestações na Bélgica e na Alemanha; a ativista sueca Greta Thunberg o repetiu em um vídeo de apoio ao movimento.

Os atos começaram com pedidos por melhorias em escolas, incluindo reformas em instalações deterioradas, contratação de mais professores, redução do tamanho das turmas e horários menos exaustivos. As manifestações se espalharam por centenas de escolas. Muitas foram pacíficas, mas outras terminaram em incêndios e saques: ao menos 24 escolas foram atingidas, e o governo informou cerca de 8.000 prisões.

A violência também atingiu estabelecimentos comerciais durante os atos de sábado, 17. Em Paris, câmeras de segurança registraram ao menos 15 pessoas encapuzadas saqueando uma loja de videogames. Em Nice, o gerente de outra loja foi agredido pelas costas enquanto tentava proteger o local; ele afirmou que sofreu arranhões e uma entorse. O episódio levou o estabelecimento a organizar uma campanha para reparar danos e repor produtos roubados.

A atuação policial também está sob investigação. O órgão oficial responsável por fiscalizar a polícia francesa apura ao menos 34 denúncias de má conduta relacionadas aos protestos desde o mês passado. Entre os casos está o de um menino de 14 anos ferido por uma granada de gás lacrimogêneo disparada por um policial a curta distância.

Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também