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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Escritório de Flávio Bolsonaro recebe R$ 4 milhões de advogado do CNMP

Os pagamentos foram feitos em agosto e outubro de 2025, semanas antes de o Senado reconduzir Edvaldo Nilo de Almeida ao Conselho Nacional do Ministério Público.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Dois profissionais analisam documentos em um escritório de advocacia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Dois profissionais analisam documentos em um escritório de advocacia.
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A banca de Edvaldo Nilo de Almeida transferiu R$ 4 milhões ao escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro em duas parcelas, pagas em agosto e outubro de 2025. Nilo afirmou que os valores remuneraram serviços prestados em conjunto a clientes privados. A recondução dele ao CNMP foi aprovada pelo Senado em novembro daquele ano.

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro recebeu R$ 4 milhões da banca do advogado Edvaldo Nilo de Almeida em duas transferências realizadas em 6 de agosto e 21 de outubro de 2025. O segundo pagamento ocorreu 22 dias antes de o Senado aprovar a recondução de Nilo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em Brasília.

Os valores foram divididos em duas parcelas de R$ 2 milhões. Em nota, Nilo afirmou que os pagamentos decorreram de contrato firmado em abril de 2025 e remuneraram serviços advocatícios prestados em conjunto pelos escritórios a clientes privados. Ele declarou que não houve recursos públicos nem participação de entes federativos e que a relação contratual terminou com o pagamento de outubro.

As notas fiscais descrevem os serviços como “assessoria jurídica”, sem identificar os clientes ou detalhar os trabalhos. Segundo Nilo, os serviços foram prestados antes da emissão das notas e do pagamento. O escritório de Flávio recebeu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, de acordo com documentos examinados pelo UOL. Os pagamentos identificados foram direcionados a contas no Santander e no Banco de Brasília (BRB).

Nilo ocupa no CNMP uma cadeira reservada a indicação da Câmara dos Deputados e foi reconduzido ao cargo em 2025. O Conselho é um órgão de controle administrativo e financeiro do Ministério Público e fiscaliza os deveres funcionais de seus integrantes; não substitui a atuação do Judiciário nem revê decisões judiciais. Sua composição reúne representantes do Ministério Público, do Judiciário, da advocacia e da sociedade, conforme previsto na Constituição.

Antes da votação em plenário, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o nome de Nilo após a análise de relatório do senador Angelo Coronel. Na votação secreta no Senado, a recondução recebeu 54 votos favoráveis e três contrários. Flávio participou da sessão, mas não é possível identificar seu voto porque o escrutínio foi secreto.

O vínculo entre os pagamentos e a recondução ocorre no mesmo período: uma parcela foi paga em agosto e a outra em outubro, antes da decisão do Senado em novembro de 2025. As informações sobre os repasses não apontam que os valores tenham sido destinados à campanha de Nilo ou relacionados à votação.

Nilo também integrou a Comissão de Ética Pública da Presidência entre 2022 e 2025, após ser indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro. O colegiado examina a conduta de autoridades do Executivo federal e situações de conflito de interesses. A recondução ao CNMP foi aprovada pelos senadores após a passagem do nome pela comissão de Constituição e Justiça.

Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo

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