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Sábado, 24 de outubro de 2026

Lula e Flávio disputam segundo turno presidencial marcado por rejeição

Pesquisas apontam empate virtual; a votação ocorre após Flávio superar as expectativas no primeiro turno, e a abstenção pode pesar no resultado.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitor deposita seu voto em uma urna durante a eleição. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitor deposita seu voto em uma urna durante a eleição.
Resumo em 30 segundos

Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno da eleição presidencial de 2026 com intenções de voto próximas. A campanha foi marcada por acusações e pela rejeição ao adversário. Mais de 33 milhões de eleitores se abstiveram no primeiro turno, e a participação pode influenciar o resultado de uma disputa apertada.

Os brasileiros votam neste domingo (25) para escolher o presidente que governará o país pelos próximos quatro anos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao segundo turno com intenções de voto próximas, em uma disputa marcada pela rejeição ao adversário e por acusações trocadas durante a campanha.

A eleição presidencial de 2026 ocorre após um primeiro turno em que Flávio teve desempenho superior ao previsto por pesquisas que apontavam leve vantagem de Lula. Os levantamentos mais recentes indicam empate virtual entre os candidatos, sem apontar um favorito claro para o resultado deste domingo. A votação decidirá quem assume a Presidência para o próximo mandato de quatro anos.

A campanha concentrou-se em críticas pessoais e acusações relacionadas a investigações, além de debates sobre corrupção, segurança pública e situação econômica. Os dois candidatos também protagonizaram confrontos em debates e nas redes sociais. Analistas ouvidos durante a campanha avaliam que as acusações dificilmente mudam a escolha de eleitores já decididos, mas podem aumentar a abstenção ao reforçar a percepção de que os dois lados são semelhantes.

Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. Parte dos recursos para a produção, ainda não concluída, veio do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras e preso preventivamente.

O senador também mantém relação com o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tomaz emprestou um avião a Flávio para viagens entre os Estados Unidos e o Brasil e dentro da Europa. Os dois também compartilharam endereço comercial e estiveram ligados a festas e indicações para negócios.

Lula, por sua vez, enfrenta críticas da oposição por causa de investigações sobre seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Ele é alvo de três inquéritos no STF por suspeita de tráfico de influência em favor de lobistas interessados em contratos com o governo federal. Os negócios não chegaram a ser fechados, embora as tentativas de viabilizá-los sejam investigadas.

Outro tema explorado contra o presidente é sua proximidade com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, após a tentativa de golpe de Estado de janeiro de 2023. A Polícia Federal identificou relações entre Moraes e Vorcaro; o banqueiro contratou a mulher do ministro como advogada do Banco Master em uma negociação de R$ 131 milhões. A campanha de Flávio usou imagens de Lula e Moraes juntas para sugerir uma ligação com o banqueiro.

A troca de acusações chegou aos debates finais. Lula propôs abrir os sigilos bancários, telefônicos e fiscais dele e de sua família e desafiou Flávio a fazer o mesmo. O senador aceitou sob a condição de que Lula também autorizasse a abertura de dados de familiares, integrantes do gabinete, gastos no cartão corporativo e registros de visitas ao Palácio do Planalto. Lula concordou e pediu ainda a quebra do sigilo da Alcazar Holdings, empresa ligada a Tomaz.

A rejeição ao candidato adversário é um elemento central da disputa. O cientista político Fernando Schüler, do Insper, descreveu a campanha como marcada por polarização e conteúdos feitos para aumentar a rejeição, em vez de apresentar propostas. Rodrigo Gonzalez, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirmou que vazamentos e acusações ocuparam espaço que poderia ser dedicado a ideias. Para ele, o desgaste pode contribuir para a abstenção.

No primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas e quase seis milhões votaram em branco ou nulo. A soma dessas opções é chamada de alienação eleitoral. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avaliou que Lula precisaria reduzir esse contingente para vencer, como Dilma Rousseff fez em 2014. A abstenção pode ser decisiva em uma disputa apertada, porque os votos válidos determinam o vencedor.

Lula, de 80 anos, tenta conquistar um quarto mandato presidencial. Metalúrgico e um dos fundadores do PT, chegou à Presidência em 2002, depois de três derrotas eleitorais. Flávio, de 45 anos, é senador e concorre apoiado pela trajetória política da família Bolsonaro. Uma vitória do candidato do PL poderia fortalecer uma agenda mais conservadora e reduzir a intervenção do Estado, enquanto Lula tenta manter o governo e sustenta sua campanha em programas sociais e medidas econômicas.

Entre as iniciativas citadas pela campanha petista estão o reajuste e a antecipação de pagamentos do Bolsa Família, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a reformulação do Desenrola, programa de renegociação de dívidas. O governo também iniciou trâmites para distribuir canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Especialistas apontam que renda e segurança pública estão entre as preocupações que podem influenciar o voto, ao lado da rejeição aos dois candidatos.

Para entender

Alienação eleitoral
É a soma dos eleitores que não comparecem às urnas com os votos em branco e nulos. Esses eleitores não entram na contagem dos votos válidos, que define o vencedor da eleição.

Fontes: Zero Hora

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