PEC da escala 6x1 pode ser votada no Senado nesta quarta-feira
O governo quer votar a proposta em dois turnos antes do segundo turno das eleições, mas precisa de apoio para encurtar o intervalo regimental entre as votações.
Resumo em 30 segundos
A PEC que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso está na pauta do Senado para quarta-feira (14). O governo pretende votar o texto nos dois turnos antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, e busca 54 assinaturas para aprovar um calendário especial. A proposta ainda não foi aprovada pelo plenário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (11), durante um ato na avenida Paulista, em São Paulo, que a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera a escala 6x1 está prevista para antes do segundo turno das eleições. Segundo Lula, a data foi acertada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que incluiu a proposta na pauta da Casa para quarta-feira (14).
A PEC propõe reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso por semana, de preferência aos domingos. O texto também prevê uma transição: a carga horária cairia primeiro para 42 horas, 60 dias após a promulgação, e chegaria a 40 horas 12 meses depois. A mudança não poderia reduzir os salários.
A proposta foi aprovada pela Câmara em maio e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início de setembro. No plenário do Senado, precisa cumprir cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. A matéria está na pauta das sessões de terça-feira (13) e quarta-feira (14), quando os debates previstos devem ser concluídos.
Para que a votação final ocorra antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, o governo pretende pedir um calendário especial, que encurte o intervalo entre os dois turnos de votação no Senado. O senador Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula, disse que a expectativa é votar a PEC nos dois turnos na quarta-feira. Segundo ele, o governo busca as 54 assinaturas necessárias para aprovar a quebra do intervalo regimental.
Pelas regras do Senado, uma PEC precisa receber ao menos 49 votos favoráveis — três quintos dos 81 senadores — em cada turno. No rito normal, há um intervalo de cinco dias úteis e outras três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno. Se o calendário especial não for aprovado, a votação em segundo turno pode ficar para depois da eleição.
Lula pediu que a oposição se posicione sobre a proposta e criticou tentativas de adiar a análise. Ele afirmou que os parlamentares devem dizer se apoiam ou rejeitam a ampliação do descanso semanal. O PL e outros partidos de oposição tentaram postergar o início da discussão para depois do segundo turno, mas Alcolumbre manteve a tramitação nesta semana.
O senador Camilo Santana também declarou que o governo espera aprovar a PEC antes da eleição. O presidente não afirmou que o texto já foi aprovado: a proposta ainda depende das votações no plenário do Senado. Até agora, não houve votação final nem divulgação de como cada senador votará.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende uma alternativa baseada no pagamento por hora trabalhada. Nesse modelo, segundo a proposta apresentada por ele, direitos como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seriam mantidos, mas pagos proporcionalmente.
A escala 6x1 corresponde a seis dias de trabalho para um de descanso. A PEC em discussão busca substituí-la por uma organização semanal com cinco dias de trabalho e dois de folga, além de reduzir a jornada máxima prevista na Constituição. A aprovação no Senado não encerraria o processo: como se trata de uma emenda constitucional, o texto precisa ser aprovado em dois turnos pela Casa.
Para entender
- Escala 6x1
- Modelo de organização do trabalho em que a pessoa trabalha por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A PEC em discussão propõe substituí-lo por uma semana com cinco dias de trabalho e dois de folga, além de reduzir a jornada semanal máxima.
- PEC
- Proposta de emenda à Constituição. Para ser aprovada no Senado, precisa receber pelo menos três quintos dos votos dos senadores em dois turnos. Uma alteração constitucional também precisa passar pelas duas votações na Câmara dos Deputados.