Flávio Bolsonaro adota tom moderado no debate da Globo antes do segundo turno
Aliados dizem que o senador mostrou propostas com mais clareza e foi considerado “preparado” em pesquisas qualitativas; Lula recebeu nota média maior entre comentaristas.
Resumo em 30 segundos
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliaram que o senador teve desempenho mais moderado e técnico no debate da TV Globo, após uma preparação que envolveu o marqueteiro Duda Lima e o governador Tarcísio de Freitas. A campanha considerou positivas as pesquisas qualitativas, mas comentaristas deram nota média maior a Lula. O confronto ocorreu dois dias antes do segundo turno.
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram na sexta-feira (23) do debate da TV Globo, o último confronto entre os candidatos à Presidência antes da votação de domingo, no segundo turno. Aliados de Flávio avaliaram que o senador teve desempenho melhor do que no debate da Band, adotando um tom mais moderado e apresentando propostas com mais clareza.
Integrantes da campanha atribuíram a mudança à preparação conduzida pelo marqueteiro Duda Lima e à participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo essas pessoas, Flávio buscou falar diretamente aos eleitores que acompanhavam o programa, evitando embates constantes com Lula e tentando não reagir a provocações.
A avaliação interna foi de que o candidato demonstrou domínio dos temas e pareceu mais técnico e preparado do que no debate anterior, realizado no domingo (18). Nas pesquisas qualitativas promovidas durante o confronto, pequenos grupos de eleitores avaliaram as falas dos candidatos. Integrantes da campanha disseram que Flávio foi mais bem percebido e que “preparado” foi a palavra mais usada pelos participantes para descrevê-lo.
O desempenho de Lula foi visto por aliados do senador como irregular, com dificuldades para apresentar respostas firmes e sinais de cansaço. Essa avaliação é da campanha de Flávio. No debate, os candidatos também trataram de temas como segurança pública, custo de vida, corrupção e direitos sociais.
Um dos momentos mais delicados para Flávio, segundo seus aliados, ocorreu quando Lula abordou a defesa feita pelo senador do policial militar Bruno Dias Delaroli. Ele é acusado de ter disparado o tiro que matou Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos. A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, estava na plateia.
Flávio manifestou solidariedade à mãe, mas afirmou confiar que o policial acusado não foi o autor do disparo. Ele também chamou a mulher pelo nome da filha. Aliados do senador consideraram que a abordagem deixou o candidato na defensiva e que ele poderia ter pedido desculpas pelo erro. Lula também mencionou Willer Tomaz e o caso Master, mas pessoas próximas da campanha disseram que esses assuntos não teriam causado prejuízo eleitoral a Flávio.
No bloco de tema livre, a orientação de Flávio foi adotar uma postura mais incisiva, inclusive ao fazer perguntas sobre pontos vulneráveis do adversário. A equipe também o preparou para responder a temas sensíveis, segundo pessoas envolvidas nos treinos. Em outros momentos, o senador procurou manter o tom moderado que havia adotado durante a maior parte do debate.
Nas considerações finais, aliados avaliaram que Flávio destacou propostas de segurança pública e fez compromissos dirigidos aos eleitores. A campanha havia revisto a participação do influenciador Pablo Marçal na preparação para o segundo debate após insatisfação com a atuação dele antes do confronto da Band. Auxiliares consideraram que Marçal tentou impor seu estilo e falar pelo candidato, o que provocou mal-estar interno.
A avaliação dos aliados de Flávio não foi unânime entre os comentaristas que analisaram o debate: uma avaliação publicada após o confronto atribuiu nota média de 2,7 a Lula e de 2,4 ao senador, em uma escala de um a cinco. Entre os pontos citados estavam a reação de Lula ao insulto “nove dedos” e a discussão sobre a defesa do policial no caso de Ana Clara.