PL prepara Rogério Marinho para disputar presidência do Senado
A candidatura deve ser anunciada na próxima quarta-feira; a eleição está prevista para fevereiro de 2027, quando começa a nova composição da Casa.
Resumo em 30 segundos
O PL decidiu não apoiar a tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre e prepara Rogério Marinho para disputar a presidência do Senado. A legenda terá 29 cadeiras a partir de fevereiro de 2027. Marinho pode começar com 32 votos, mas Alcolumbre busca uma aliança que somaria 39 parlamentares.
O Partido Liberal (PL) decidiu não apoiar um acordo para a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado e pretende lançar Rogério Marinho (PL-RN) para disputar o comando da Casa. A candidatura deve ser anunciada na quarta-feira da semana que vem, após uma reunião da bancada, enquanto a eleição está prevista para fevereiro do ano que vem, quando começa a nova composição do Senado.
Marinho é senador pelo Rio Grande do Norte. A partir de fevereiro, o PL terá 29 cadeiras no Senado, que reúne 81 parlamentares. O nome dele já recebeu o aval de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de Carlos Bolsonaro (PL-SC), senador eleito. A oposição afirma que pretende chegar à votação com um candidato único, apesar de Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra do governo Jair Bolsonaro, também buscar espaço para uma candidatura.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), defende que o tamanho da bancada seja usado para ampliar a influência do grupo no Congresso e tentar modificar a relação entre os Poderes. “Hora de unidade. Se amarrar direitinho, seremos fortes. Mais uma batalha. Incessante. Há chance de recuperar o mínimo equilíbrio entre os Poderes. Precisamos da maioria”, afirmou.
Alcolumbre tentou aproximar-se do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro por meio de uma negociação que envolveria Congresso, governo e Judiciário. Entre as possibilidades discutidas estavam um indulto presidencial, uma anistia ampla aprovada pelo Congresso ou a retomada de uma proposta de redução de penas. Não havia uma proposta definida, e Alcolumbre não levou a ideia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As alternativas enfrentam resistência de parlamentares da oposição, que questionam tanto sua viabilidade como a capacidade de Alcolumbre de assegurar o cumprimento de um eventual acordo. Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Bolsonaro, disse que o presidente do Senado não poderia garantir uma solução para a situação judicial do ex-presidente. “Alcolumbre não tem condições de oferecer isso”, afirmou.
Damares Alves (Republicanos-DF), que foi ministra dos Direitos Humanos no governo Bolsonaro, também rejeitou atrelar o apoio à reeleição de Alcolumbre a uma negociação sobre o caso do ex-presidente. A desconfiança entre oposicionistas foi reforçada pela eleição anterior: em 2025, o PL apoiou Alcolumbre esperando avanços na pauta da anistia, mas não conseguiu aprovar uma medida ampla que beneficiasse Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas.
Carlos Jordy (PL-RJ), deputado que assumirá uma cadeira no Senado em fevereiro, afirmou que apoiar novamente Alcolumbre seria repetir um acordo sem garantia de cumprimento. “Tem que ser muito otário para cair nessa conversa fiada de Alcolumbre. Senador que votar nele não tem compromisso com o resgate da independência e harmonia entre os Poderes”, disse.
O impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está entre as principais bandeiras da oposição na Casa. Parlamentares bolsonaristas avaliam que Alcolumbre não atuará pelo afastamento do ministro, a quem consideram aliado. A tentativa de aproximação com esse grupo também é vista por oposicionistas como uma maneira de reduzir a pressão sobre Moraes e evitar que a eleição se concentre no conflito com o Supremo.
Marinho teria, inicialmente, uma base potencial de 32 votos, somados os 29 senadores do PL e os três eleitos pelo Novo, que também rejeitam apoiar Alcolumbre. O grupo ainda é menor que a aliança que o atual presidente do Senado tenta reunir: União-PP, PT, PSB, PDT e Rede somariam 39 parlamentares, segundo a composição prevista. A direção nacional da federação União-PP apoia Alcolumbre, mas sua bancada, que terá 11 senadores, está dividida.
Entre os nomes que resistem a apoiar a reeleição de Alcolumbre estão Tereza Cristina e Guilherme Derrite (PP-SP), senador eleito. O presidente do Senado tem procurado parlamentares individualmente; conversou, por exemplo, com Arthur Lira (PP-AL), eleito para a Casa, que ainda não anunciou seu voto. A oposição aposta também em divisões nos partidos de centro para reduzir a vantagem do atual presidente.
As bancadas de Republicanos, Podemos e PSDB, que somam 16 parlamentares, ainda não indicaram apoio a nenhum dos grupos. A votação para a presidência do Senado é secreta, o que permite que senadores contrariem orientações partidárias sem revelar seus votos. Aliados de Alcolumbre contam com essa possibilidade para ampliar sua base, enquanto a oposição tenta conquistar parlamentares sem compromisso público com nenhum dos candidatos.