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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Rogério Marinho pode ter de buscar votos para presidir o Senado

Pesquisas nos estados indicam que o PL e aliados podem chegar a 37 a 39 votos no Senado, abaixo dos 41 necessários para eleger Rogério Marinho.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Plenário do Senado Federal vazio, com as cadeiras azuis e a mesa diretora ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Senado Federal vazio, com as cadeiras azuis e a mesa diretora ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Pesquisas estaduais indicam que o PL e aliados podem eleger de 37 a 39 senadores, abaixo dos 41 votos necessários para escolher Rogério Marinho presidente da Casa. Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e Distrito Federal são apontados como disputas incertas. A votação ocorre no domingo (4), e a escolha da Mesa dependerá também de negociações.

Pesquisas de intenção de voto para o Senado indicam que o PL e partidos aliados podem conquistar entre 37 e 39 cadeiras na eleição de domingo (4), segundo uma projeção baseada em levantamentos estaduais. O número ficaria abaixo dos 41 votos necessários para eleger o senador Rogério Marinho (PL-RN) presidente da Casa em 2027, que terá 81 integrantes.

A disputa deste ano renova dois terços do Senado. Mesmo que a direita consiga eleger o número projetado de parlamentares, precisaria buscar apoio adicional por meio de alianças e negociações para alcançar a maioria. Na eleição anterior para a presidência do Senado, em 2023, Marinho recebeu 32 votos e foi derrotado por Rodrigo Pacheco, que obteve 49.

A eleição de um presidente do Senado alinhado à direita é um dos objetivos do PL e de Jair Bolsonaro desde 2023. O grupo considera que o comando da Casa poderia abrir caminho para processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e para mudanças na relação entre os Poderes. A quantidade de senadores eleitos, porém, não determina por si só como cada um votará em futuras disputas.

Seis unidades da Federação aparecem como áreas decisivas ou de resultado incerto: Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e Distrito Federal. Nos estados em que há divisão de votos entre candidatos de direita, essa fragmentação pode beneficiar nomes ligados ao governo e ao Centrão, segundo a análise das pesquisas.

No Rio Grande do Sul, a projeção considera que Manuela D’Ávila deve conquistar uma das duas vagas em disputa. A direita pode perder a outra cadeira caso os votos se dividam entre Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL). A disputa gaúcha é apontada como exceção no Sul, onde a maior parte das vagas é considerada favorável a candidatos desse campo político.

No Nordeste, as chances de eleição de senadores alinhados a Marinho são avaliadas como reduzidas em Alagoas, Bahia, Maranhão, Pernambuco e Piauí. Já no Centro-Oeste, as vagas aparecem divididas entre candidatos do PL e do Centrão. A eventual eleição de integrantes do União Brasil ou do MDB não permite concluir, por si só, que eles apoiarão iniciativas contra ministros do STF.

O cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, afirmou que a oposição tem possibilidade concreta de disputar a presidência do Senado, independentemente do resultado da eleição presidencial. Ele ressaltou, contudo, que será preciso esperar a votação para confirmar esse cenário.

O advogado constitucionalista André Marsiglia observou que o governo eleito costuma ter meios de negociar apoio para a escolha da Mesa Diretora do Senado. Na avaliação dele, o engajamento do eleitorado em temas relacionados ao Judiciário pode influenciar o cálculo dos parlamentares.

As pesquisas para o Senado estão sujeitas a variações porque cada eleitor vota em dois candidatos e, em geral, conhece menos os nomes da disputa. A projeção reuniu cenários estimulados de levantamentos feitos em 25 estados e no Distrito Federal, entre 14 e 29 de setembro. Para o Piauí, foi usado um levantamento do Datafolha, já que a Quaest não realizou pesquisa no estado.

A análise considerou os candidatos que apareciam em primeiro ou segundo lugar nos cenários pesquisados e combinou os resultados com a situação de senadores que manterão os mandatos ou poderão deixar as cadeiras para suplentes após serem eleitos governadores. Também avaliou a possibilidade de apoio a um presidente de direita, levando em conta partidos, alianças, posicionamentos e relações políticas. As margens de erro dos levantamentos, em geral de três pontos percentuais, não foram incorporadas à projeção, que representa uma fotografia do eleitorado no período das entrevistas.

A disputa pela presidência do Senado só será definida depois da eleição e da formação da nova composição da Casa. Além do tamanho das bancadas, a escolha dependerá de acordos entre parlamentares e da capacidade dos candidatos de reunir votos de diferentes partidos.

Quem é quem

Senado Federal
Uma das duas casas do Congresso Nacional brasileiro, ao lado da Câmara dos Deputados. O Senado representa os estados e o Distrito Federal e participa da elaboração de leis, da fiscalização do Executivo e de decisões sobre autoridades e processos previstos na Constituição.
Rogério Marinho
Político brasileiro do Partido Liberal pelo Rio Grande do Norte e senador. Foi ministro do Desenvolvimento Regional e secretário especial de Previdência e Trabalho. Disputou a presidência do Senado em 2023, quando recebeu 32 votos, conforme as informações da matéria.
Jair Bolsonaro
Político brasileiro que presidiu o país entre 2019 e 2022. Foi deputado federal antes de chegar à Presidência e é uma das principais lideranças nacionais associadas ao Partido Liberal. A matéria o identifica como apoiador do objetivo de ampliar a influência da direita no Senado.

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