PF indicia 15 pessoas em investigação sobre Master e BRB
Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa; a investigação trata da venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília.
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A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no primeiro inquérito sobre suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB. Entre elas estão o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O indiciamento não equivale a condenação.
A Polícia Federal indiciou 15 pessoas, entre elas o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, no primeiro inquérito sobre suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB. Costa foi preso em abril deste ano; Vorcaro está preso desde março, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
O indiciamento é uma etapa da investigação policial em que a autoridade aponta suspeitos e atribui a eles possíveis crimes. Não equivale a uma condenação: cabe ao Ministério Público avaliar se apresenta denúncia, e a Justiça decide sobre eventual responsabilização.
A investigação divide os indiciados em núcleos com funções diferentes. Vorcaro é apontado como líder e responsável por diretrizes das operações, pela articulação entre Master e BRB e pela coordenação estratégica dos demais grupos. Paulo Henrique Costa é descrito como integrante do núcleo estratégico e decisório, com participação atribuída na definição de orientações e na articulação e coordenação das frentes da operação.
Costa comandou o BRB de janeiro de 2019 a novembro de 2025. Foi indicado ao cargo pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A defesa do ex-presidente, feita pelo advogado Davi Tangerino, afirma que a investigação tratou os fatos a partir das hipóteses acusatórias, e não o contrário. Também sustenta que conversas, depoimentos e documentos mostram que Costa não conhecia as supostas fraudes nas carteiras de crédito.
A defesa de Vorcaro classificou o relatório policial como “açodado e afoito” e disse que ele antecipa conclusões que, segundo os próprios investigadores, ainda não foram alcançadas. As manifestações contestam as conclusões atribuídas aos dois investigados; o indiciamento, por si só, não determina culpa.
No núcleo executivo-financeiro, a PF incluiu o ex-sócio de Vorcaro Augusto Lima, além dos diretores do Master Angelo Silva e Luiz Antonio Bull e do superintendente de tesouraria Alberto Oliveira Neto. Lima também era dono do Banco Pleno, anteriormente chamado Voiter, instituição que integrou o conglomerado do Master e foi liquidada pelo Banco Central em fevereiro deste ano.
A polícia atribui a Silva e Bull a assinatura de documentos ligados à Tirreno, empresa investigada como parte do esquema. Silva teria firmado instrumentos entre o Master e a companhia; Bull, diretor de contabilidade, também teria assinado documentos sobre as operações e ofícios enviados a órgãos de controle. Oliveira Neto é apontado como signatário do contrato de parceria entre o banco e a Tirreno.
A defesa de Silva afirma que ele nega participação nos fatos e prestou esclarecimentos às autoridades. Após depoimento à PF, a defesa de Bull disse que ele permanecia à disposição dos investigadores. Em depoimento, Oliveira Neto declarou que não tinha poder de decisão no banco e que cumpria ordens. Em manifestações anteriores, os advogados de Lima disseram que as operações investigadas ocorreram depois que ele deixou o Master, em maio de 2024, e não se relacionam à sua atuação na instituição.
A PF aponta o gerente de operações bancárias Allan Machado como integrante do núcleo operacional e de formação documental. Segundo a investigação, ele teria organizado dados e carteiras destinadas ao BRB e coordenado a produção de cédulas de crédito bancário (CCBs), procurações e termos de assinatura. A polícia também lhe atribui a montagem das carteiras e a elaboração posterior de documentos apresentados como lastro dos créditos vinculados à Tirreno. CCBs são títulos que formalizam operações de crédito e registram uma promessa de pagamento.
No núcleo de interposição empresarial, aparecem Henrique Peretto, proprietário formal da Tirreno, e André Maia, ex-funcionário do Master e diretor da empresa. A PF atribui a Peretto o aumento do capital social da Tirreno, de R$ 100 para R$ 30 milhões. Uma perícia citada na investigação concluiu que a companhia veio de uma empresa de prateleira e não tinha estrutura, empregados ou patrimônio. A apuração afirma que o Master adquiriu créditos de dívidas da Tirreno sem pagamento e depois os revendeu ao BRB.
O advogado Daniel Monteiro, do escritório Monteiro Rusu Advogados, é apontado como responsável pelo núcleo jurídico e de sustentação documental. Ele foi preso preventivamente em abril, na Operação Compliance Zero. Na ocasião, sua defesa afirmou que ele foi surpreendido pela prisão e que atuava tecnicamente como advogado do Master e de outros clientes. O Ministério Público Federal havia apontado que Monteiro teria recebido ao menos R$ 86 milhões em proveito próprio.
Outros cinco indiciados são dirigentes ou ex-dirigentes do BRB. A PF inclui Dario Garcia Junior no núcleo executivo-financeiro; ele foi afastado da diretoria em novembro de 2025, teve bens bloqueados e passaporte apreendido e deixou o banco em setembro deste ano. A defesa o havia descrito como vítima e afirmado que colaborava com as investigações.
A diretora Luana Ribeiro teria apoiado aquisições de carteiras mesmo reconhecendo riscos, segundo a PF. Uma anotação encontrada em sua agenda atribui ao então presidente do BRB a determinação de comprar carteiras para salvar o Master. Já Cristiane Bukowitz, Diogo Oliveira e José Maria são relacionados a reuniões ou aprovações das operações sem registro de oposição. A PF não atribui a eles atuação direta na proposição, seleção ou liquidação das carteiras e, no caso de José Maria, afirma que o vínculo deve ficar limitado às deliberações de que participou.