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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Aliados de Flávio Bolsonaro divergem sobre saída para os EUA

Enquanto deputados aliados chamam a viagem de exílio político, integrantes da campanha e advogados dizem que não sabiam do plano e negam participação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Viajante com mala se dirige a um controle de segurança em um aeroporto à noite. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Viajante com mala se dirige a um controle de segurança em um aeroporto à noite.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após uma ordem de Alexandre de Moraes para apreender seus passaportes e proibi-lo de viajar. Deputados aliados defenderam a saída e a classificaram como exílio político. Integrantes da campanha e advogados disseram ter sido surpreendidos; o trajeto e um possível pedido de asilo não foram confirmados publicamente.

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiram de formas distintas nesta terça-feira (27) à saída dele do Brasil para os Estados Unidos: alguns defenderam a viagem como exílio político, enquanto integrantes de sua campanha disseram ter sido surpreendidos e negaram participação no plano. Flávio deixou o país durante a madrugada, menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seus passaportes e proibi-lo de viajar.

Deputados próximos ao senador associaram a decisão judicial a uma tentativa de intimidar a oposição. Maurício Marcon (PL-RS) afirmou que Flávio “ruma ao exílio” e disse que ele representará os aliados nos Estados Unidos. Carlos Jordy (PL-RJ) também declarou que o senador “fez certo” ao sair e pediu que parlamentares mantenham o apoio a Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pela presidência do Senado no ano que vem.

Marcon sustentou que a ordem de Moraes teria sido usada para pressionar Flávio a apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União-AP), que, segundo o deputado, evita abrir processos de impeachment contra o ministro. Deltan Dallagnol (Novo-PR), senador eleito, afirmou que a saída do colega reduz a capacidade de pressão atribuída a Moraes. As declarações são avaliações dos parlamentares; não há, nos relatos, confirmação de que a decisão judicial tenha sido vinculada à eleição do Senado.

Já pessoas ligadas à campanha afirmaram que não sabiam da viagem e tentaram se distanciar dela. Segundo esses aliados, a possibilidade de deixar o país não foi discutida em uma reunião realizada na segunda-feira (26), quando Flávio teria confirmado que participaria de um encontro com a bancada do PL na próxima semana. Advogados do senador também disseram que a saída ocorreu sem o conhecimento da equipe jurídica.

Rogério Marinho, coordenador político da campanha, teria conversado com Flávio por WhatsApp antes de ele desaparecer das comunicações. Ao ser questionado sobre relatos de que deixaria o Brasil, o senador respondeu que estava “esfriando a cabeça”, segundo um relato feito por Marinho a um auxiliar. Parlamentares e governadores aliados também disseram a auxiliares que souberam da viagem por notícias.

A saída ocorreu após Moraes determinar que Flávio entregasse os passaportes brasileiro e italiano à Polícia Federal. O senador tem cidadania italiana. Ele é investigado em duas ações criminais relacionadas ao caso do Banco Master e a suspeitas de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em fevereiro, quando deixar o mandato, perderá o foro especial no STF, prerrogativa que define a instância judicial responsável por julgar determinadas autoridades.

Há versões diferentes sobre o trajeto. Aliados disseram que Flávio foi aos Estados Unidos, mas a passagem pela Argentina, inicialmente relatada, não foi confirmada pelo governo argentino. Também há relatos de que o governo dos Estados Unidos está ciente da chegada do senador e de que ele poderá pedir asilo político, sem confirmação pública desses planos.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou parlamentares para uma reunião de emergência nesta terça-feira, em Brasília, para discutir os próximos passos da legenda. A saída de Flávio ocorre depois de sua derrota na eleição presidencial, e os aliados agora discutem a reorganização da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Fontes: Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Zero Hora

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