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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Daniel Vorcaro presta depoimento à PF sobre Banco Master e BRB

A oitiva presencial ocorreu nesta quinta-feira, na Papudinha, em Brasília, e pode ajudar a polícia a concluir uma das frentes da investigação.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Entrada de uma unidade prisional em Brasília, com cercas de segurança e um veículo policial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Entrada de uma unidade prisional em Brasília, com cercas de segurança e um veículo policial.
Resumo em 30 segundos

Daniel Vorcaro depôs presencialmente à Polícia Federal nesta quinta-feira, na Papudinha, em Brasília. A investigação apura a tentativa de venda do Banco Master ao BRB e operações com carteiras de crédito suspeitas. O depoimento pode contribuir para concluir uma das frentes do caso, cujo cronograma enfrenta adiamentos e ainda não tem previsão definida.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento presencial à Polícia Federal nesta quinta-feira (15), na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, onde está preso há sete meses. A oitiva integra a investigação sobre o Banco Master e a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), além de operações com carteiras de crédito que são alvo de suspeitas.

A defesa afirmou que Vorcaro responderia às perguntas dos investigadores e sustentaria a legalidade da operação financeira, barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. A PF considera que o depoimento pode ajudar a concluir o relatório de ao menos uma das frentes abertas para apurar suspeitas de fraude envolvendo o Master.

A audiência ocorre após uma sequência de mudanças no calendário de interrogatórios e depoimentos do caso. A Polícia Federal pretendia encerrar ao menos uma das principais linhas da Operação Compliance Zero em agosto, mas diligências pendentes levaram os investigadores a pedir mais 60 dias. O prazo termina neste mês, sem que haja uma previsão clara para a conclusão.

O depoimento de Vorcaro não encerra as diferentes apurações sobre o banco. O ex-banqueiro aparece em vários inquéritos, cada um com objeto próprio, e a polícia ainda precisa comparar os relatos com documentos, mensagens, dados bancários e fiscais e materiais recolhidos em buscas ou obtidos por meio de quebras de sigilo.

A PF esperava que Vorcaro esclarecesse a tentativa de venda do Master ao BRB e a negociação de carteiras de crédito que, segundo a investigação, apresentariam indícios de irregularidades. A defesa diz que ele quer prestar esclarecimentos, mas sustenta que precisa ter acesso ao conjunto dos elementos reunidos pelos investigadores para se preparar.

Em setembro, outra oitiva do ex-banqueiro, relacionada ao grupo chamado “A Turma”, foi adiada. Realizada em 30 de setembro, a audiência terminou com Vorcaro negando conhecer ou fazer parte da estrutura. Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, também foi ouvido naquele dia e apresentou a mesma linha de manifestação.

Em outro depoimento, realizado por videoconferência em agosto e com duração de cerca de quatro horas, Vorcaro foi questionado sobre dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master. Segundo a defesa, aquela foi a primeira oportunidade para que ele respondesse às acusações. Ele negou irregularidades, corrupção e cooptação de servidores públicos.

A investigação também busca reconstruir reuniões, comunicações e decisões relacionadas a ex-integrantes do Banco Central suspeitos de beneficiar o banco. O atual presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, já foram ouvidos nessa linha. Duas testemunhas que poderiam contribuir para esclarecer esse capítulo, porém, não depuseram nas datas previstas.

André Esteves, controlador do BTG Pactual, tinha depoimento marcado para 5 de outubro, mas a defesa pediu o adiamento por compromissos profissionais. Não foi definida uma nova data. Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, teve a oitiva prevista para 7 de outubro cancelada a pedido dos advogados, e a PF também ainda não marcou outra data.

As defesas têm alegado, em diferentes casos, que precisam consultar integralmente os autos antes dos depoimentos. O acesso aos autos é a consulta aos documentos e às provas reunidos no procedimento; os advogados afirmam que esse conhecimento é necessário para preparar seus clientes. Investigadores avaliam que o acúmulo de adiamentos reduz o tempo disponível para fazer novas diligências, cruzar informações e elaborar relatórios.

O problema não se limita às oitivas desta semana. Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, teve o depoimento suspenso três vezes; não há nova data. Jaques Wagner (PT-BA), investigado em uma frente que apura sua relação com Lima e suspeitas de vantagens indevidas, também não foi ouvido. A defesa do senador atribuiu o adiamento a problemas técnicos e afirmou que ele deveria falar depois de conhecer os elementos reunidos pela polícia. Wagner nega as suspeitas.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro do ano passado. A investigação começou com suspeitas de fabricação de carteiras de crédito sem lastro e de negociação desses ativos com o BRB, mas se expandiu para apurar possíveis fraudes financeiras, relações com agentes políticos e a atuação de servidores públicos. O número de depoimentos afetados não foi consolidado oficialmente, em parte porque a apuração foi dividida em vários inquéritos e uma mesma pessoa pode ser chamada a depor mais de uma vez.

A proximidade do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, é apontada por investigadores como uma variável para o andamento do caso. O efeito mais imediato das mudanças de agenda, no entanto, é o atraso na análise do material: cada oitiva remarcada pode deslocar diligências que dependem das informações prestadas. Com isso, a conclusão de ao menos uma das frentes, inicialmente esperada para agosto, segue sem horizonte definido.

Fontes: Gazeta do Povo

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