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Domingo, 25 de outubro de 2026

Pesquisa mostra como o trabalho remoto pode aproximar colegas

Entrevistas e observações em uma empresa indicam que reuniões por vídeo e conversas sobre a vida pessoal podem favorecer a confiança e a colaboração.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Colegas participam de uma reunião remota, com uma criança e um animal de estimação ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Colegas participam de uma reunião remota, com uma criança e um animal de estimação ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Uma pesquisa qualitativa acompanhou funcionários de uma empresa que passaram do trabalho presencial ao remoto. Os relatos indicam que aspectos da vida doméstica compartilhados em reuniões e canais de equipe ajudaram colegas a se conhecer melhor, pedir apoio e colaborar. O estudo descreve a experiência de uma única empresa e não permite generalizar os resultados para todas as organizações.

Uma pesquisa qualitativa acompanhou funcionários de uma empresa de serviços profissionais que passaram de uma rotina principalmente presencial para o trabalho remoto na maior parte do tempo, até 2024. O estudo concluiu que trabalhar de casa pode aproximar colegas, ampliar a disposição para falar sobre dificuldades pessoais e favorecer a colaboração, contrariando a expectativa de que a distância física enfraqueceria os vínculos profissionais.

A pesquisa reuniu 275 entrevistas e cerca de 330 horas de observação. A maioria dos participantes passou a trabalhar de casa quatro ou cinco dias por semana e a participar de reuniões por vídeo. Os resultados foram revisados por pares e serão publicados em uma próxima edição da revista científica de gestão Organization Science.

Antes da mudança, a pesquisadora esperava que a redução do convívio presencial prejudicasse as relações entre os funcionários. No escritório, observou, muitos se relacionavam principalmente como colegas e evitavam mencionar assuntos pessoais que pudessem ser vistos como incompatíveis com as demandas do trabalho.

Um dos entrevistados, identificado por um nome fictício, receava explicar que não poderia trabalhar até mais tarde porque ajudaria a mãe. Outra participante, também com nome fictício, descreveu a pressão de aparentar estar bem apesar do cansaço. “Mesmo que você não tenha dormido na noite anterior, espera-se que apareça, sorria e esteja bem”, disse ela, quando ainda ia regularmente ao escritório.

No trabalho remoto, aspectos da vida doméstica passaram a aparecer nas reuniões e nas conversas das equipes. Crianças, animais de estimação e familiares surgiam ao fundo das chamadas, enquanto funcionários compartilhavam fotos de filhos, bichos e refeições nos canais de comunicação. Para uma participante, essas situações ajudaram os colegas a se conhecerem mais depressa e de maneira mais profunda.

A pesquisadora relaciona essa abertura à segurança psicológica, conceito que descreve a percepção de que é possível assumir riscos nas relações profissionais sem medo de uma avaliação negativa. Isso inclui admitir erros, pedir ajuda ou apontar problemas. Estudos de gestão associam essa condição ao aprendizado, à criatividade e à liberdade para expressar preocupações.

Uma das funcionárias entrevistadas afirmou que os colegas ficaram menos receosos de falar sobre a relação entre vida pessoal e trabalho. Ela citou o caso de alguém que poderia contar que o fim de um relacionamento afetava seu estado emocional e que precisava de um dia de folga para se recompor — algo que, segundo ela, não teria sido compartilhado espontaneamente antes.

A maior abertura também se traduziu em ajuda prática. Quando o pai de um funcionário adoeceu, uma colega assumiu tarefas que os dois planejavam executar juntos. “Vou assumir isso por você agora”, disse ela, acrescentando que o colega poderia retomar o que fosse possível quando estivesse disponível. Com isso, ele pôde se dedicar aos cuidados com o pai, enquanto as atividades não ficaram totalmente paradas.

Os relatos indicaram que a colaboração não impedia a conclusão das tarefas. Um participante disse que conhecer detalhes da vida dos colegas “nos ajudou a trabalhar com mais eficiência de várias maneiras”. A autora também observou que pessoas com diferentes idades e configurações familiares relataram melhorias, fossem ou não casadas, tivessem ou não filhos.

A pesquisa sugere que os efeitos podem se reforçar: compartilhar experiências ajuda os colegas a se conhecerem melhor, e essa familiaridade pode aumentar a confiança para pedir apoio ou falar de dificuldades. O estudo, porém, acompanha funcionários de uma única empresa e descreve as experiências desse grupo; não apresenta uma comparação estatística que permita afirmar que o trabalho remoto terá o mesmo efeito em todas as organizações.

O tema continua relevante em meio à presença do trabalho remoto em diferentes setores. Em agosto de 2026, 36% dos trabalhadores americanos em cargos de gestão, profissões especializadas e áreas relacionadas trabalhavam de casa ao menos em parte do tempo, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Esse dado se refere aos Estados Unidos, não ao Brasil, e não mede por si só os efeitos do modelo sobre relações entre colegas.

Para empregadores e funcionários, a conclusão central é que o trabalho fora do escritório não precisa ser tratado apenas como uma barreira ao convívio. Na experiência observada, a exposição de aspectos cotidianos da vida doméstica ajudou a criar proximidade e a facilitar apoio mútuo, sem impedir que as equipes realizassem suas tarefas.

Para entender

Segurança psicológica
É a percepção de que uma pessoa pode assumir riscos nas relações profissionais — como admitir um erro, pedir ajuda ou apontar um problema — sem temer uma avaliação negativa. Pesquisas de gestão relacionam essa condição ao aprendizado, à criatividade e à expressão de preocupações.

Fontes: Folha de S.Paulo

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