Inflação nos EUA sobe 0,6% em setembro, com alta da gasolina
A inflação americana acumulou 3,7% em 12 meses, acima da meta de 2% do Fed; o núcleo avançou 0,3%, mais que o esperado.
Resumo em 30 segundos
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,6% em setembro, maior alta mensal em cinco meses. A gasolina avançou 9,1%, enquanto o núcleo da inflação aumentou 0,3%. Em 12 meses, a inflação chegou a 3,7%, acima da meta de 2% do Federal Reserve, às vésperas da reunião do banco central.
A inflação ao consumidor nos Estados Unidos subiu 0,6% em setembro em relação ao mês anterior, impulsionada principalmente pelos combustíveis, informou nesta quarta-feira o Bureau of Labor Statistics (BLS). Em 12 meses, a alta chegou a 3,7%, mantendo o indicador acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
A gasolina encareceu 9,1% no mês. O núcleo da inflação, que exclui itens com preços mais voláteis, avançou 0,3%, acima da estimativa de 0,2%. O resultado geral foi a maior alta mensal em cinco meses.
Os preços de serviços de assistência médica subiram 0,3%, enquanto os alimentos comprados em supermercados tiveram leve recuo. O aluguel equivalente dos proprietários, medida usada para estimar o custo da moradia para quem tem casa própria e o maior componente do índice, também avançou 0,3%. Carros usados ficaram 0,7% mais caros, maior aumento desde outubro de 2025.
O relatório registrou ainda alta anual de 28,4% nos preços de softwares e acessórios de computador, a maior já observada, e de 9,7% nos preços de computadores, periféricos e assistentes domésticos inteligentes. A expansão de data centers foi apontada como um fator de pressão sobre esses itens.
A inflação e o custo de vida devem seguir entre os temas centrais da campanha para as eleições legislativas de novembro. Pesquisas indicam insatisfação crescente das famílias com a acessibilidade financeira, em um cenário no qual os preços têm subido mais do que os salários. Um relatório separado divulgado nesta quarta-feira mostrou que os ganhos médios por hora, descontada a inflação, caíram em setembro na comparação anual pelo sexto mês consecutivo.
O Fed elevou os juros em setembro pela primeira vez desde 2023, em resposta à retomada das pressões inflacionárias. Autoridades do banco sinalizaram que pretendem avaliar novos dados antes de decidir os próximos passos, embora a mediana das projeções dos dirigentes aponte para mais um aumento neste ano. Juros mais altos encarecem o crédito e podem conter a demanda, mas também pesam sobre famílias e empresas.
A divulgação é a última leitura do índice de preços ao consumidor antes da próxima reunião de política monetária do Fed, marcada para 27 e 28 de outubro. Os dados elevaram os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pressionaram para baixo os contratos futuros de ações nos Estados Unidos.
A economia também é afetada pela alta dos combustíveis associada à guerra, que elevou os preços da gasolina, do diesel e de outros produtos. Muitos eleitores atribuem o aumento do custo de vida às tarifas do presidente Donald Trump e ao conflito com o Irã, segundo o contexto apresentado no debate eleitoral.
Para entender
- Núcleo da inflação
- Medida que exclui itens com preços mais voláteis, como alimentos e energia. É acompanhada para avaliar tendências mais persistentes da inflação, embora não represente todos os gastos das famílias.
- Federal Reserve
- Banco central dos Estados Unidos. Define a política monetária do país, incluindo as taxas de juros, com o objetivo de promover estabilidade de preços e condições econômicas sustentáveis.