FGV aponta 110 empresas com baixa maturidade em governança corporativa
O índice analisou 321 companhias com documentos públicos de 2025 sobre dados de 2024; a média foi de 64,31 pontos, abaixo do patamar intermediário.
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Levantamento da FGV avaliou a maturidade de governança corporativa de 321 companhias abertas brasileiras. Destas, 110 ficaram nos níveis incipiente ou básico, enquanto 158 alcançaram os níveis estruturado ou avançado. A avaliação considera seis áreas, incluindo conselho de administração, auditoria, transparência, remuneração executiva e conduta.
Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) identificou 110 companhias abertas no Brasil com maturidade de governança corporativa nos níveis incipiente ou básico. O Índice de Maturidade da Governança Corporativa (IMGC), elaborado pela FGV Alta Gestão, avaliou 321 empresas com base em documentos públicos de 2025, referentes a informações de 2024, e será apresentado em uma conferência on-line na quarta-feira, 28.
Na outra ponta, 158 companhias alcançaram níveis estruturado ou avançado. A média geral foi de 64,31 pontos, abaixo dos 69,14 pontos considerados intermediários pela FGV. A diferença entre os resultados mais altos e mais baixos também foi ampla: as empresas mais estruturadas chegaram a 91,54 pontos, enquanto as de menor desempenho registraram 21,08.
O índice reúne 65 questões divididas em seis áreas. O conselho de administração representa 30% da avaliação; auditoria e controles internos, 20%; transparência e divulgação de informações, 15%; estrutura de propriedade, 15%; remuneração executiva, 10%; e reputação e conduta, 10%.
A FGV define maturidade de governança como o grau em que as práticas de direção, supervisão e controle funcionam de maneira integrada e verificável, em vez de existirem apenas formalmente ou serem adotadas de modo reativo. Isso envolve, por exemplo, a atuação do conselho e dos comitês, auditoria, gestão de riscos, transparência, incentivos e mecanismos de integridade.
Segundo Gilberto Sarfati, coordenador dos programas FGV Alta Gestão, os resultados mostram que as companhias brasileiras têm padrões institucionais bastante diferentes, mesmo atuando no mesmo mercado. Ele atribui os níveis mais baixos a fatores que não se resumem à falta de conhecimento sobre boas práticas.
Entre os problemas apontados por Sarfati estão conselhos sem independência efetiva, comitês sem atribuições definidas e ausência de avaliações periódicas. Também pesam estruturas acionárias concentradas, dificuldades para comprovar em documentos públicos as práticas adotadas e o custo de manter áreas e mecanismos de governança, especialmente para empresas menores.
“Esse custo pesa muito mais para companhias menores, e o mercado brasileiro tem muitas companhias relativamente pequenas listadas há décadas”, afirmou Sarfati. Entre os custos fixos citados por ele estão comitê de auditoria, uma área estruturada de relações com investidores, compliance e assessoria.
O relatório aponta oito empresas como referências em maturidade, com notas entre 89,23 e 91,54: B3, Embraer, Odontoprev, Prio, Suzano, Telefônica Brasil (Vivo), Totvs e Vale. A avaliação, ressalta Sarfati, mede a maturidade de governança observável, não a qualidade geral da empresa nem seu desempenho financeiro.
Um aspecto comum às companhias de referência é o desempenho consistente nas diferentes dimensões, em vez de resultados concentrados em uma única área. Sarfati descreveu essa integração como “densidade institucional”: a governança funciona como um sistema, com seus componentes articulados.
A FGV considera possível que companhias avancem de nível em um prazo de 12 a 24 meses. Para Sarfati, o caminho não exige necessariamente criar novas estruturas, mas melhorar a conexão entre as que já existem. A avaliação pode ajudar empresas e investidores a comparar práticas com base em evidências públicas, embora a pontuação não substitua uma análise financeira ou uma avaliação completa do negócio.