Datafolha aponta violência como prioridade para 69% dos eleitores
Na pesquisa para o segundo turno presidencial, 25% escolheram o combate à violência como principal prioridade, em empate técnico com a redução de impostos.
Resumo em 30 segundos
Pesquisa Datafolha realizada entre 20 e 22 de outubro mostra que 69% dos eleitores incluem o combate à violência entre as prioridades do próximo presidente. Empregos e redução de impostos também aparecem entre os temas mais citados. As preferências variam conforme a intenção de voto de eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro.
O combate à violência aparece como uma das prioridades do próximo presidente para 69% dos eleitores, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na lista de temas, também foram citados a geração de empregos, por 60%, e a redução de impostos, por 56%.
Os entrevistados puderam indicar três prioridades, em ordem de importância. Quando questionados sobre o tema mais importante, 25% escolheram o combate à violência, percentual próximo ao dos que apontaram a diminuição de impostos, com 24%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, portanto os resultados estão dentro da margem de empate.
A geração de empregos e a educação foram apontadas como prioridade número um por 17% cada. Outros 8% escolheram aumentar a renda, 5% citaram reduzir o endividamento e 2% indicaram a anistia aos condenados no processo sobre a trama golpista, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Cerca de 2% não souberam responder ou disseram que não deveria haver uma prioridade.
Considerando as três opções indicadas pelos entrevistados, 35% mencionaram o aumento da renda, 21% a redução do endividamento e 8% a anistia. Os resultados mostram que a preocupação com segurança pública divide espaço com questões econômicas na escolha das prioridades para o próximo governo.
As preferências variam conforme a intenção de voto. Entre os eleitores de Flávio, 35% apontaram a redução de impostos como a principal prioridade, ante 12% dos que declaram voto em Lula. Já a educação foi escolhida como prioridade número um por 25% dos eleitores do presidente, contra 8% dos apoiadores do senador.
A segurança também está no centro das propostas dos dois candidatos. Flávio defende medidas como a castração química de estupradores, o fim da identificação obrigatória de munições e mudanças na progressão de pena. Especialistas da área citados na discussão eleitoral consideram algumas dessas propostas pouco eficazes ou potencialmente contraproducentes no combate ao crime.
Lula, por sua vez, passou a defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos. Em sabatina realizada no dia 15, afirmou: “Meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, é que [para] todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade”. A posição difere da que sustentava anteriormente. Em 2007, o então presidente se opôs à redução e argumentou que a mudança poderia levar a cobranças por idades cada vez menores.
O levantamento foi realizado entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), com 2.520 pessoas em 154 cidades. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-09709/2026. A divulgação ocorre durante a disputa final, em que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados nas intenções de voto, segundo a rodada anterior do instituto: ambos tinham 50% dos votos válidos, antes do arredondamento.