Paulo Henrique Costa nega à PF ter recebido apartamentos de Vorcaro
Os seis imóveis, avaliados em R$ 146 milhões, seriam moradias ligadas a um convite para comandar uma holding do grupo Master, afirmou o ex-presidente do BRB.
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Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Henrique Costa negou ter recebido seis apartamentos de luxo que, segundo a investigação, poderiam ter sido oferecidos como propina. Ele afirmou que os imóveis seriam usados como moradia caso aceitasse comandar uma holding do grupo Master e disse que nenhuma compra foi concluída. Costa também relatou que Ibaneis Rocha pediu que estruturasse uma operação de venda do BRB ao Banco Master.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa negou à Polícia Federal (PF), em depoimento em 15 de outubro, ter recebido apartamentos de luxo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Costa foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master, sob a suspeita de que os imóveis teriam sido oferecidos como propina.
A investigação aponta seis apartamentos — dois em Brasília e quatro em São Paulo — avaliados em R$ 146 milhões. Costa afirmou que eles seriam usados como moradia caso aceitasse um convite de Vorcaro para presidir uma nova holding financeira do grupo Master. Segundo o ex-presidente do BRB, a proposta previa atividades nas duas cidades e, por isso, ele pediu que a empresa custeasse as residências.
“Na minha visão, não fazia sentido eu ter que comprar duas casas e tal, ter dois custos e tal”, disse Costa à PF. Ele afirmou que visitou cerca de 15 imóveis em São Paulo e enviou a Vorcaro uma lista com quatro opções. De acordo com seu relato, o então banqueiro se ofereceu para comprar os apartamentos e sugeriu que Costa permanecesse com eles.
Costa disse que pediu uma opção de compra futura pelo valor de mercado, mas afirmou que não pretendia exercê-la. Também negou ter recebido qualquer imóvel e declarou que as negociações não resultaram em aquisição concluída nem em movimentação financeira. Segundo ele, cinco tratativas não avançaram, e o sexto apartamento foi vendido a outra pessoa.
O ex-presidente afirmou que consultou o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), antes de responder ao convite de Vorcaro. Costa disse que tinha o compromisso de permanecer no BRB até o fim de sua gestão e que, se aceitasse a proposta, deixaria o banco e os cargos públicos, embora também mencionasse a possibilidade de atuar como conselheiro da instituição.
Em outro trecho do depoimento, Costa relatou que Ibaneis pediu, em 2024, que ele estruturasse uma operação de venda do BRB ao Banco Master. Segundo o ex-presidente, o pedido foi feito durante um jantar na casa de Vorcaro, em 24 de setembro, com a presença do governador e de outras quatro pessoas. Costa disse ter ficado surpreso, pois até então defendia que o governo do Distrito Federal mantivesse o controle do banco.
Ele afirmou que, na manhã seguinte, enviou mensagens a Ibaneis e a Vorcaro dizendo que daria andamento à solicitação, mas queria discutir aspectos da proposta. Costa declarou que o BRB atuaria como assessor para estruturar a operação, sem decidir se as ações seriam vendidas. O depoimento também registra que a proposta envolveria a participação do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, que detinha cerca de 16,5% das ações do banco naquele momento.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de irregularidades em negócios entre o Banco Master e o BRB. A quarta fase levou à prisão de Costa; a suspeita sobre os apartamentos integra a apuração sobre possível pagamento de vantagem indevida.