Augusto Lima diz à PF que rompeu com Master por divergências
Em depoimento, ex-sócio também contestou a versão de Daniel Vorcaro sobre quem conhecia as operações de crédito consignado do banco.
Resumo em 30 segundos
Augusto Lima afirmou à Polícia Federal que deixou a sociedade do Banco Master por falta de informações e divergências com Daniel Vorcaro sobre a gestão. Ele também relacionou as conversas sobre o BRB à decisão de encerrar o vínculo. No depoimento, contestou a versão de Vorcaro sobre o conhecimento das operações de consignado.
O empresário Augusto Lima afirmou à Polícia Federal (PF) que deixou a sociedade do Banco Master por falta de informações sobre os negócios da instituição e por divergências com Daniel Vorcaro sobre a gestão. Em depoimento, ele também relacionou as conversas sobre o Banco de Brasília (BRB), iniciadas em dezembro de 2024, à decisão de encerrar o vínculo com o Master.
Lima disse que os desentendimentos começaram no fim de 2022 e no início de 2023. Ele deixou formalmente a sociedade em 28 de maio de 2024, mas permaneceu trabalhando nas dependências do banco como prestador de serviços. Segundo o empresário, buscava criar uma instituição própria para dar continuidade às atividades.
Ao explicar a diferença de visão entre os dois, Lima afirmou que priorizava crédito, recorrência de negócios e receitas, incluindo o microcrédito. Vorcaro, segundo o relato, preferia operações de atacado, estruturadas e voltadas a empresas em dificuldade. Lima disse que não tinha conhecimento de investimentos feitos pelo Master e afirmou não acreditar no modelo discutido para o BRB.
O empresário relatou que Vorcaro temia que a divulgação de sua saída provocasse instabilidade no banco e pediu que a informação não fosse anunciada. Lima afirmou que continuou prestando serviços após deixar a sociedade e defendeu a regularidade das operações de crédito sob sua responsabilidade. Também disse que havia pagamentos pendentes pelos serviços.
No mesmo depoimento, Lima contestou a versão de Vorcaro sobre quem conhecia as operações de consignado do banco. Ele afirmou que não era o único responsável pelas carteiras e que Vorcaro tinha conhecimento delas. Como argumento, citou orientações que, segundo ele, o ex-sócio teria dado sobre operações com carteiras de crédito.
Vorcaro havia dito à PF que conhecia as operações gerais de consignado, mas não entrava nos detalhes. Segundo ele, uma equipe formada por pessoas trazidas por Lima cuidava da originação dos créditos. Lima afirmou que considerava contraditório dizer que Vorcaro desconhecia o segmento, que gerava receita para o banco.
Um dos principais produtos de consignado do Master era o Credcesta, cartão de benefício com desconto direto na remuneração de servidores públicos. Criado na Bahia a partir da estrutura da Empresa Baiana de Alimentos, o produto se expandiu para outros Estados e municípios. O banco também negociava carteiras de crédito consignado com outras instituições e fundos de investimento.
Lima ingressou na sociedade do Master durante a expansão do Credcesta, depois de firmar parceria para operar o produto com o então Banco Máxima, posteriormente rebatizado de Master. Ele comandou a ampliação do consignado para diferentes localidades. A PF investiga negócios envolvendo o Master e o BRB; as conversas sobre o banco de Brasília foram, segundo Lima, um dos fatores que o levaram a romper a relação com a instituição.