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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

NTSB investiga queda de Learjet 60 na Flórida que matou nove

A apuração vai examinar os destroços, os sistemas de degelo e os registros do voo; gelo e turbulência são hipóteses, ainda sem causa definida.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Investigadores examinam destroços de um jato em uma via da Flórida, isolada por equipes de emergência. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Investigadores examinam destroços de um jato em uma via da Flórida, isolada por equipes de emergência.
Resumo em 30 segundos

Nove pessoas morreram na queda de um Learjet 60 no condado de Palm Beach, na Flórida, durante um voo do Texas para as Bahamas. A investigação considera fatores como gelo e turbulência, mas ainda não determinou a causa. Também vai apurar o uso dos sistemas de degelo e as decisões da tripulação.

Um Learjet 60 caiu no domingo, 1º, em uma via movimentada no condado de Palm Beach, na Flórida, durante um voo de Austin, no Texas, para as Bahamas. As nove pessoas a bordo morreram: os dois pilotos e sete passageiros, entre eles uma família com duas crianças pequenas.

A copilota Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, e o comandante Jeff Gregory estavam na cabine. Também morreram Adam Robinson, Helen Sharp, os filhos do casal, Emma e Charlie, a babá Anita Maria Cetina e as amigas da família Rachael Reed e Charmi Fehr. As famílias divulgaram as identidades em um comunicado conjunto.

A causa da queda ainda não foi determinada. Autoridades federais afirmaram que é cedo para chegar a uma conclusão, mas indicaram que as condições climáticas certamente tiveram influência. Especialistas em aviação apontaram como hipóteses a formação de gelo, a turbulência e possíveis erros na condução da aeronave; nenhuma delas foi confirmada como causa do acidente.

Durante o voo, a cerca de 35 mil pés de altitude, a aeronave entrou em uma área de tempestade. Por volta das 12h48, Filgueiras informou ao controle de tráfego aéreo de Miami que havia gelo leve e transparente e turbulência moderada. Nas comunicações seguintes, a tripulação tentou lidar com a situação enquanto o avião perdia altitude.

O gelo pode alterar o formato das asas e reduzir a sustentação, além de afetar motores, instrumentos e controles. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), responsável por investigar acidentes de transporte, alerta que até uma camada de um quarto de polegada na borda de uma asa pode levar à perda de controle. O acúmulo também pode prejudicar as indicações de velocidade e altitude.

O Learjet 60 tem três sistemas de degelo: aquecedores elétricos nas bordas das asas e nos estabilizadores horizontais, bolsas de borracha que se expandem para quebrar o gelo e um mecanismo que conduz gases quentes sobre as asas. Os pilotos precisam acionar os sistemas para que funcionem. Por isso, investigadores deverão esclarecer se a tripulação reconheceu o risco e se os equipamentos foram usados.

Especialistas levantaram a possibilidade de que a aeronave tenha entrado em estol, situação em que as asas deixam de produzir sustentação suficiente para manter o voo. O gelo pode comprometer o fluxo de ar sobre as asas, enquanto a turbulência pode provocar mudanças bruscas de altitude e dificultar o controle. Essas explicações são hipóteses, não conclusões da investigação.

O piloto e professor Daniel Bubb afirmou que o jato pode ter encontrado gelo mais intenso do que a tripulação inicialmente percebeu. Segundo ele, a aeronave poderia ter ficado praticamente incontrolável. O professor também considerou possível que os pilotos tenham tentado escapar da turbulência subindo, manobra que, em determinadas condições, poderia ter provocado uma guinada ou um estol da cauda.

A turbulência registrada também será analisada. Filgueiras relatou mudanças de altitude entre 600 e 700 pés, um deslocamento que o piloto Patrick Smith descreveu como considerável. Ele disse que uma turbulência excepcionalmente forte, ou uma reação inadequada a ela, poderia ter arrancado os estabilizadores horizontais. O NTSB informou que há indícios de que a aeronave se desintegrava antes de atingir o solo, mas não revelou se houve falha estrutural.

Nathalia era filha de brasileiros e tinha cerca de 1.300 horas de voo, segundo informações divulgadas sobre sua trajetória. Ela obteve a licença de piloto privado aos 17 anos, trabalhava como instrutora e havia conquistado o certificado de piloto comercial em 2026. Seu padrasto, Thiago Corteleti, afirmou que ela enviou uma mensagem ao namorado, também piloto, pouco antes da queda: “Estou com turbulência, estou com gelo”.

Gregory era um aviador experiente, segundo uma antiga empregadora. Robinson era fundador e diretor executivo de empresas de tecnologia. Helen trabalhava com relações públicas e havia aberto um estúdio de cerâmica. No comunicado das famílias, Anita foi lembrada pelo cuidado com as crianças, enquanto Reed e Fehr foram descritas como amigas cheias de alegria e espírito aventureiro.

Os investigadores ainda precisam estabelecer a sequência dos acontecimentos, verificar os registros do voo e examinar os destroços e os sistemas da aeronave. Até a conclusão desse trabalho, gelo, turbulência, uso dos equipamentos de degelo e decisões da tripulação permanecem entre os fatores a serem avaliados.

Para entender

NTSB
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos investiga acidentes de transporte, incluindo ocorrências com aeronaves. O órgão reúne evidências e analisa fatores que possam ter contribuído para um acidente; suas investigações buscam determinar causas e formular recomendações de segurança.

Fontes: Estadão, O Globo

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