Charles III reconhece passado escravista durante visita às Bahamas
Em Nassau, o rei defendeu reconhecer injustiças coloniais enquanto antigas colônias cobram desculpas e reparações; a viagem também aborda riscos climáticos.
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Charles III iniciou uma viagem de nove dias pelo Caribe com uma visita às Bahamas, onde reconheceu os sofrimentos e as injustiças da escravidão. A agenda inclui a Guiana e Antígua e Barbuda, com debates sobre reparações na reunião da Commonwealth e atividades ligadas a mudanças climáticas e proteção ambiental.
O rei Charles III iniciou nesta terça-feira, nas Bahamas, uma viagem de nove dias pelo Caribe em meio a reivindicações de desculpas oficiais e reparações pela escravidão no período colonial britânico. Em discurso a jovens em Nassau, ele reconheceu os sofrimentos e as injustiças do passado e afirmou que parte da cultura atual das Bahamas “nasceu da escuridão”.
“É justo que reconheçamos os grandes sofrimentos e injustiças do passado nestas ilhas e além delas, ao mesmo tempo em que celebramos as conquistas atuais e criamos novas oportunidades para o futuro”, disse o monarca. Na chegada ao local do discurso, manifestantes exibiram cartazes com a frase “Paguem o que nos devem”.
A visita inclui as Bahamas e a Guiana, na costa norte da América do Sul. Depois, Charles se encontrará com a rainha Camilla em Antígua e Barbuda, onde participará, de 1º a 4 de novembro, da reunião bienal dos chefes de governo da Commonwealth. A organização reúne 56 países independentes, em sua maioria antigos territórios britânicos, que mantêm vínculos históricos com o Reino Unido.
A escravidão e as reparações devem ser debatidas no encontro. Shirley Ayorkor Botchwey, secretária-geral da Commonwealth, afirmou que o tema estará na pauta. O presidente da Guiana, Irfaan Ali, que tem encontro previsto com Charles, disse que reconhecer os “dias sombrios” da colonização é apenas um primeiro passo e defendeu que pedidos de desculpas sejam a etapa seguinte.
No início de setembro, o governo da Jamaica pediu ao rei que impulsionasse a campanha por reparações aos africanos escravizados e seus descendentes. Nenhum monarca britânico pediu desculpas oficialmente pela escravidão, embora tenham sido expressos sentimentos de pesar pelo papel do Reino Unido. O governo britânico também rejeita compensações financeiras.
A Commonwealth é uma associação voluntária, e seus países discutem temas de interesse comum. Além das reparações, a agenda da viagem inclui mudanças climáticas, comércio e investimento. O Palácio de Buckingham afirmou que a visita permitirá aos países caribenhos tratar de questões urgentes, entre elas os riscos climáticos para as ilhas.
Em Nassau, Charles chamou atenção para a vulnerabilidade das Bahamas: 90% das terras do país ficam a menos de dois metros acima do nível do mar. “Provavelmente não há lugar melhor do que as Bahamas [...] para compreender a realidade das mudanças climáticas que ameaçam tantas comunidades em toda a Commonwealth”, declarou. O rei também afirmou que “nosso mundo clama por cura” diante dos danos climáticos.
Charles, de 77 anos e em tratamento contra um câncer cuja natureza não foi divulgada, também participará de eventos culturais e visitará iniciativas ambientais. Na Guiana, estão previstas atividades ligadas à proteção da floresta tropical; em Antígua e Barbuda, ele conhecerá um projeto de restauração de corais e acompanhará as celebrações da independência do país.
Para entender
- Commonwealth
- Associação voluntária de países independentes que cooperam em temas de interesse comum. Reúne nações de diferentes regiões, muitas delas antigas colônias britânicas, e mantém vínculos históricos com o Reino Unido.