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Domingo, 25 de outubro de 2026

Moody’s mantém nota da dívida francesa e alerta para riscos fiscais

A dívida pública da França deve superar 120% do PIB no próximo ano, enquanto juros altos e impasse sobre o orçamento pressionam as contas do país.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Prédio da Assembleia Nacional francesa em Paris sob céu nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Prédio da Assembleia Nacional francesa em Paris sob céu nublado.
Resumo em 30 segundos

A Moody’s manteve a nota de crédito da França em Aa3, mas conservou a perspectiva negativa. A agência diz que o país precisa de um esforço fiscal sustentado para estabilizar a dívida, que deve superar 120% do PIB no próximo ano. Juros elevados, baixo crescimento e dificuldades políticas aumentam a pressão sobre as contas públicas.

A agência de classificação de risco Moody’s manteve na sexta-feira, 23, a nota de crédito da França em Aa3, evitando um rebaixamento, mas conservou a perspectiva negativa para a dívida do país. A decisão veio em meio à alta dos juros exigidos pelos investidores e às dificuldades do governo para aprovar um orçamento que contenha o endividamento.

A perspectiva negativa indica que a agência vê riscos para a avaliação futura. A Moody’s afirmou que a França precisa fazer um “esforço fiscal significativo e sustentado” para estabilizar a dívida. A nota Aa3 ainda corresponde a grau de investimento, categoria que sinaliza risco relativamente baixo de o devedor deixar de pagar suas obrigações.

Na semana passada, os rendimentos dos títulos franceses de dez anos superaram 5% pela primeira vez desde 2002. Quando esses rendimentos sobem, o governo tende a pagar mais para captar recursos e refinanciar dívidas. A alta amplia a conta de juros e reduz o espaço do orçamento para outras despesas, como educação e aposentadorias.

Os investidores também passaram a exigir um prêmio maior para emprestar à França do que à Alemanha, referência de segurança nos mercados europeus. A diferença entre os rendimentos dos títulos de dez anos dos dois países chegou ao maior nível desde 2011, durante a crise da dívida soberana da zona do euro, e dobrou em dois meses.

A dívida francesa cresceu nos últimos anos e deverá superar 120% do tamanho da economia no próximo ano. Esse indicador compara o valor da dívida pública com o Produto Interno Bruto (PIB), que mede o conjunto de bens e serviços produzidos no país. Quanto maior o peso da dívida, mais difícil pode ser administrá-la, sobretudo quando os juros aumentam e a economia cresce pouco.

A situação fiscal se combina com a instabilidade política e a retomada de protestos contra o custo de vida. O processo para aprovar o orçamento de 2027 ocorre em meio a manifestações sociais extensas, segundo a Moody’s. O impasse entre os partidos dificulta a aprovação de medidas para reduzir o déficit, enquanto a resistência social limita a possibilidade de cortes de gastos ou aumento de impostos.

A economia francesa teve contração no primeiro trimestre e estagnação no segundo. Protestos e saques registrados neste mês podem pressionar ainda mais a atividade, e um crescimento fraco torna mais difícil reduzir o peso da dívida em relação ao PIB. O aumento dos juros, por sua vez, eleva o custo de financiar o governo, criando pressões simultâneas sobre as contas públicas.

A Moody’s espera que o governo atual consiga aprovar um orçamento, inclusive com mecanismos que não dependam de uma votação parlamentar convencional. A agência avalia, porém, que o próximo presidente e seu governo terão de reduzir o déficit com mais firmeza. As eleições presidenciais estão previstas para a próxima primavera europeia, período que, junto com o verão, deve prolongar a incerteza política.

A França mantém nota Aa3 na Moody’s, acima das classificações atribuídas pela Fitch e pela S&P, que rebaixaram o país no ano passado. Apesar da decisão de não cortar a nota, a Moody’s afirmou que as tensões sociais e o baixo crescimento dificultam mudanças substanciais e que o peso da dívida deve continuar aumentando pelo restante da década.

Para entender

Perspectiva negativa
É uma indicação de que a agência de classificação de risco vê possibilidade de a nota de crédito ser reduzida no futuro. Não significa que o rebaixamento já ocorreu: a Moody’s manteve a classificação da França em Aa3.

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo

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