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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Paraná reforça fiscalização após foco de Newcastle em Santa Catarina

A Adapar inspeciona caminhões com aves e monitora granjas; resultados recentes para Newcastle e influenza aviária no Paraná foram negativos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fiscal inspeciona caminhão que transporta aves em uma estrada rural. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fiscal inspeciona caminhão que transporta aves em uma estrada rural.
Resumo em 30 segundos

Após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle em Santa Catarina, o Paraná reforçou a fiscalização nas divisas e nas estradas. A Adapar inspeciona veículos que transportam aves e orienta produtores sobre biossegurança. O estado também busca preservar as exportações e destaca resultados negativos em monitoramentos recentes.

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) reforçou a vigilância sanitária nas divisas e em estradas do estado após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle em Santa Catarina. A ação busca proteger as granjas paranaenses e demonstrar às autoridades e aos compradores internacionais que a produção local está livre da infecção.

Fiscais trabalham em postos nas fronteiras estaduais e fazem operações volantes para inspecionar caminhões que transportam aves vivas. Eles verificam as condições de higienização dos veículos e a documentação exigida para o trânsito de animais, incluindo a Guia de Trânsito Animal (GTA), que registra informações sobre o deslocamento.

A Adapar informou que os ciclos mais recentes de monitoramento abrangeram centenas de propriedades rurais em mais de 180 municípios. Todos os resultados para Newcastle e influenza aviária foram negativos, e as investigações de suspeitas notificadas em 2025 e 2026 foram descartadas.

A agência também orienta produtores a manter telas de proteção em boas condições para impedir o contato com aves silvestres, restringir visitas, controlar a circulação de veículos e desinfetar equipamentos. As medidas de biossegurança procuram reduzir a entrada e a disseminação de agentes infecciosos nos aviários.

O Paraná é o maior produtor brasileiro de carne de frango. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no primeiro semestre de 2026, o estado respondeu por 35% das aves abatidas no país e 36% do volume de carne produzido.

Entre janeiro e junho, foram abatidas 1,188 bilhão de aves no Paraná, alta de 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção de carne chegou a 2,688 milhões de toneladas, crescimento de 8,4%. Em todo o Brasil, o abate somou 3,395 bilhões de aves no semestre, avanço de 3,2%; a Região Sul concentra quase 60% da avicultura nacional.

A Doença de Newcastle é altamente contagiosa entre aves e pode provocar mortalidade elevada nos plantéis. Quando um foco é confirmado, pode ser necessário abater sanitariamente o lote atingido, e países importadores podem impor restrições comerciais. A doença não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos, segundo especialistas. A médica veterinária Gisela Geraldine Castilho-Westphal, professora da Universidade Positivo, afirmou que, em casos raros, pessoas que trabalham diretamente com aves doentes podem ter conjuntivite leve e passageira.

O episódio também teve repercussão nas exportações. O México suspendeu temporariamente as compras, após adquirir cerca de 85 mil toneladas de carne paranaense nos primeiros nove meses de 2026. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, disse que o setor trabalha com o governo federal para apresentar aos importadores a regionalização sanitária, mecanismo que restringe a área afetada por um foco e permite manter o comércio de regiões consideradas livres da doença.

Santin avaliou que as suspensões anunciadas até agora não exigem estocagem nem redução do ritmo das fábricas. Cerca de 66% da produção brasileira é consumida no mercado interno, segundo ele. De janeiro a setembro de 2026, o Paraná embarcou mais de 1,8 milhão de toneladas de carne de frango, com receita superior a US$ 3,3 bilhões; o produto chega a mais de 150 destinos internacionais.

Fontes: Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo

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