Bolsas da Europa fecham mistas com queda do CAC 40 em Paris
Stoxx 600, FTSE 100 e DAX avançam, enquanto a preocupação com as contas públicas francesas pesa sobre o CAC 40; Espanha antecipa eleições para novembro.
Resumo em 30 segundos
As bolsas europeias fecharam em direções diferentes nesta segunda-feira. Stoxx 600, FTSE 100 e DAX registraram altas, favorecidos por ações de mineradoras e de petróleo e gás. O CAC 40 caiu em meio à preocupação com as contas públicas francesas. Na Espanha, Pedro Sánchez anunciou eleições antecipadas para 29 de novembro.
As principais bolsas da Europa fecharam em direções diferentes nesta segunda-feira (5). O índice pan-europeu Stoxx 600 e o FTSE 100, de Londres, subiram, enquanto o CAC 40, de Paris, recuou diante da preocupação com as contas públicas francesas. O DAX, de Frankfurt, teve leve alta.
O Stoxx 600 avançou 0,28%, aos 633,09 pontos, recuperando parte das perdas da semana passada, quando atingiu o menor nível em quatro meses. O FTSE 100 ganhou 0,34%, para 10.497,94 pontos, e o DAX subiu 0,09%, aos 25.254,21 pontos. Já o CAC 40 caiu 0,80%, encerrando aos 7.834,10 pontos.
A valorização dos metais favoreceu ações de mineradoras, enquanto os papéis de petróleo e gás também avançaram. No Stoxx 600, o setor de mineração subiu 1,26%, e o de petróleo e gás teve alta de 1,01%. A queda dos preços do petróleo no dia ajudou a aliviar parte das preocupações dos investidores, mas o cenário fiscal continuou no foco.
Os rendimentos de boa parte dos títulos públicos europeus subiram, em meio à apreensão com as finanças dos governos. Na França, o retorno dos títulos OAT de dez anos ficou perto da estabilidade, em 4,867%, após alcançar na semana passada o maior patamar desde 2002. Rendimentos mais altos indicam que governos precisam oferecer maior retorno para atrair compradores e podem elevar o custo de financiamento da dívida.
A gestora UBS Global Wealth Management avaliou que os riscos fiscais europeus não apontam para uma crise iminente, embora tenha destacado o déficit estrutural francês, a dívida crescente e o aumento dos juros a pagar. Para seus estrategistas, essas pressões tendem a se acumular gradualmente. Davide Oneglia, da TS Lombard, afirmou que a tensão no mercado de dívida veio acompanhada de busca por ativos considerados mais seguros, como títulos alemães, e de aumento dos spreads de CDS, instrumentos que protegem contra o risco de calote.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro, acrescentando incerteza política ao cenário europeu. O rendimento do título espanhol de dez anos subiu de 4,087% para 4,145%, mas a Bolsa de Madri avançou 2,52%, para 2.111,40 pontos.
A convocação antecipa a votação, prevista inicialmente para 2027, em meio à fragilidade parlamentar do governo e a dificuldades para aprovar medidas. Sánchez disse que busca ampliar o apoio popular para levar adiante reformas. O Partido Popular, principal força de oposição, lidera as pesquisas citadas, mas sem maioria absoluta; nesse cenário, poderia precisar de apoio de outros partidos para governar.
Para entender
- CDS
- Credit default swaps são contratos financeiros que oferecem proteção contra o risco de calote de um emissor, como um governo ou uma empresa. O custo desses contratos pode servir como indicador de como o mercado avalia o risco de crédito.
- OAT
- OAT é a sigla usada para os títulos de dívida de longo prazo emitidos pelo governo francês. O rendimento desses papéis reflete, entre outros fatores, o retorno exigido pelos investidores para emprestar dinheiro ao Estado.