França vê juros de títulos de dez anos chegarem a 5%
O spread ante a Alemanha se aproxima de 1,6 ponto percentual, enquanto a Moody’s deve anunciar na sexta-feira sua decisão sobre a nota do país.
Resumo em 30 segundos
Os rendimentos dos títulos franceses de dez anos chegaram a 5%, maior nível desde 2002, em meio à instabilidade política e à preocupação com as contas públicas. O spread em relação aos títulos alemães se aproximou de 1,6 ponto percentual. A Moody’s deve anunciar na sexta-feira sua decisão sobre a classificação de risco da França.
Os rendimentos dos títulos públicos franceses de dez anos chegaram a 5% nesta quarta-feira (21), o nível mais alto desde 2002, em meio à preocupação de investidores com a instabilidade política e as contas públicas do país. A alta ocorreu durante uma nova onda de vendas no mercado de títulos e elevou em mais de 0,2 ponto percentual os juros cobrados da França nesta semana.
O rendimento avançou até 0,08 ponto percentual no dia. Esse indicador representa o retorno exigido por quem compra os títulos e, em geral, sobe quando os preços dos papéis caem. O custo de financiamento francês estava em 3,2% no fim de fevereiro.
A pressão sobre os juros ocorre após protestos em diversas cidades contra o aumento dos preços, a desigualdade, os cortes nos gastos públicos e as condições de serviços como a educação. As manifestações terminaram com depredações e invasões de prefeituras; mais de 2.400 pessoas foram detidas.
A França também foi o país mais afetado por uma onda ampla de vendas de títulos entre as economias do G7, grupo que reúne as principais economias avançadas. A guerra no Irã contribuiu para elevar a inflação e pressionou especialmente países com dívida elevada e grandes déficits orçamentários.
Outro indicador acompanhado pelos investidores, a diferença entre os rendimentos dos títulos franceses e alemães de dez anos, aproximou-se de 1,6 ponto percentual nesta quarta-feira. O spread igualou o maior nível intradiário registrado durante as oscilações do início deste mês e não era tão alto desde a crise da dívida da zona do euro, há mais de uma década. Um spread maior indica que os investidores exigem retorno adicional para emprestar à França em comparação com a Alemanha.
Jeff Mueller, codiretor de renda fixa da Morgan Stanley Investment Management, afirmou que a disposição política para consolidar as contas públicas antes da eleição é “muito, muito baixa”. Ele acrescentou que há espaço para a situação piorar. John Stopford, chefe de renda de múltiplos ativos da gestora Ninety One, avaliou que o cenário político é adverso e difícil de melhorar em breve.
Stopford disse que o spread francês pode continuar se ampliando até a eleição presidencial de abril. Na avaliação dele, é improvável que o Banco Central Europeu intervenha sem uma deterioração significativa em relação aos níveis atuais.
A agência Moody’s deve anunciar na sexta-feira sua decisão sobre a classificação de risco da França. A nota atual é Aa3, com perspectiva negativa, e um rebaixamento é considerado uma possibilidade.
Para entender
- Spread
- É a diferença entre os rendimentos de títulos de dois países. Quando o spread francês em relação ao alemão aumenta, indica que investidores exigem um retorno maior para emprestar à França do que para emprestar à Alemanha.