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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Moderna e MSD testam vacina contra melanoma que reduz risco

Em estudo de fase 3 com 1.137 pacientes operados, a combinação com Keytruda reduziu em 42% o risco de recidiva ou morte; a vacina ainda não foi aprovada.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Profissional de laboratório prepara amostras para pesquisa de uma vacina experimental contra melanoma. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Profissional de laboratório prepara amostras para pesquisa de uma vacina experimental contra melanoma.
Resumo em 30 segundos

A vacina experimental de mRNA intismeran autogene, desenvolvida pela Moderna e pela MSD, reduziu em 42% o risco de recidiva ou morte por melanoma quando combinada ao pembrolizumabe. O estudo de fase 3 incluiu 1.137 pacientes operados. O imunizante personalizado ainda está restrito a pesquisas e precisa de aprovação para ser comercializado.

A vacina experimental de RNA mensageiro (mRNA) intismeran autogene, desenvolvida pela Moderna e pela MSD para tratar melanoma, reduziu em 42% o risco de recidiva ou morte quando aplicada junto com o imunoterápico pembrolizumabe, vendido como Keytruda. Os dados de um estudo de fase 3, divulgados pelas empresas nesta quinta-feira (22), foram obtidos com pacientes submetidos à cirurgia para retirada do tumor.

O tratamento foi desenvolvido para diminuir a possibilidade de o câncer voltar ou levar à morte após a operação. A vacina ainda não foi aprovada para uso clínico e permanece restrita a pesquisas. As empresas preparam um pedido de autorização nos Estados Unidos; o presidente-executivo da Moderna, Stéphane Bancel, afirmou que a expectativa é lançar o produto em 2027.

O estudo envolveu 1.137 pacientes. Segundo as farmacêuticas, os resultados foram aceitos para publicação no New England Journal of Medicine, mas o artigo ainda não havia sido publicado. A intismeran autogene, também identificada como V940, é produzida sob medida com base nas características do tumor de cada paciente.

Para prepará-la, pesquisadores analisam o material genético de uma amostra do tumor removido na cirurgia e identificam mutações que não estão nas células saudáveis. A partir delas, selecionam neoantígenos — fragmentos de proteínas associados às células cancerígenas — para compor as instruções genéticas da vacina. No estudo, foram escolhidos 34 neoantígenos para cada imunizante personalizado.

Depois de aplicada, a vacina orienta células do organismo a produzir esses fragmentos. O sistema imunológico pode então treinar os linfócitos T, células de defesa, para reconhecer as mesmas marcas no tumor e atacá-lo. Trata-se de uma vacina terapêutica, destinada a estimular a resposta contra um câncer já diagnosticado, e não de uma vacina preventiva contra uma doença infecciosa.

O pembrolizumabe complementa essa ação. O medicamento bloqueia a proteína PD-1, que fica na superfície dos linfócitos T e ajuda a controlar sua atividade. Alguns tumores se aproveitam desse mecanismo para reduzir o ataque das defesas; ao bloquear a PD-1, o remédio pode permitir uma resposta imunológica mais eficaz. Em termos gerais, a vacina ajuda a identificar o alvo, enquanto o Keytruda dificulta que o tumor freie a ação das células de defesa.

O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele e tem maior risco de se espalhar para órgãos como pulmões, fígado, cérebro e ossos. Quando identificado cedo, porém, apresenta altas chances de cura. Nos casos em que o câncer está localizado, a cirurgia é o principal tratamento e busca retirar o tumor por completo; a combinação experimental é administrada depois do procedimento.

A intismeran autogene e o pembrolizumabe também estão sendo estudados em outros tipos de câncer, incluindo tumores de rim, bexiga e pulmão. Esses testes ainda precisam demonstrar se a combinação traz benefícios nessas doenças. No Brasil, não há previsão de quando a vacina poderá ser disponibilizada: o tratamento precisará de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializado no país.

Fontes: Folha de S.Paulo

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