Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Radical Numerics testa terapia com fagos criados por IA em paciente

O tratamento experimental foi aplicado nos Estados Unidos contra uma infecção persistente por E. coli resistente a antibióticos; a eficácia ainda não foi comprovada.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pesquisador observa uma cultura bacteriana em uma placa de laboratório. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pesquisador observa uma cultura bacteriana em uma placa de laboratório.
Resumo em 30 segundos

A startup americana Radical Numerics afirma ter administrado a um paciente fagos projetados por inteligência artificial para combater uma infecção resistente por E. coli. A FDA autorizou o ensaio, mas a empresa não divulgou detalhes clínicos, e especialistas recomendam cautela até que o tratamento seja concluído e avaliado.

Pesquisadores afirmaram ter administrado, pela primeira vez, a um paciente um vírus criado com inteligência artificial (IA) para combater uma infecção bacteriana potencialmente fatal. A terapia experimental, anunciada na terça-feira (20), usa fagos projetados para atacar uma cepa resistente de Escherichia coli, conhecida como E. coli, nos Estados Unidos. A identidade do paciente e dos médicos não foi divulgada.

A startup americana Radical Numerics desenvolveu os vírus com seu modelo de IA Omnii. Segundo a empresa, o paciente tinha uma infecção persistente por uma cepa de E. coli que resistia a antibióticos e a todos os fagos disponíveis. Os pesquisadores treinaram o sistema com informações sobre a bactéria e pediram que projetasse vírus capazes de se ligar a ela.

Os fagos são vírus que infectam bactérias. Cada tipo costuma atingir um conjunto limitado de cepas, por isso a terapia exige identificar um vírus compatível com a bactéria do paciente. No tratamento anunciado, os pesquisadores modificaram genes do fago T7, que afetam as estruturas usadas pelo vírus para se prender à superfície bacteriana e injetar seu material genético.

A equipe afirma que, após gerar sequências genéticas com o Omnii, sintetizou o DNA correspondente e o inseriu em bactérias. As células produziram fagos que, em testes de laboratório, infectaram e mataram bactérias. Depois de realizar testes de segurança, a Radical Numerics apresentou os vírus aos médicos responsáveis pelo caso. A empresa diz que a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) autorizou o ensaio clínico.

O anúncio não significa que a eficácia do tratamento esteja comprovada. A empresa publicou um relatório técnico em seu site, mas o documento ainda não passou por revisão por pares nem foi publicado em uma revista científica. A Radical Numerics não forneceu detalhes clínicos nem identificou os profissionais envolvidos, citando a confidencialidade do paciente e de seus parceiros clínicos.

“Levamos extremamente a sério nossa responsabilidade de proteger a confidencialidade dos pacientes e preservar a confiança de nossos parceiros clínicos”, disse Eric Nguyen, presidente-executivo da empresa. Ele afirmou que a companhia pretende divulgar os resultados por meio de pesquisas revisadas por pares e que qualquer informação clínica futura dependerá de consentimento.

Especialistas que não participaram do trabalho receberam o relato com interesse, mas pediram cautela. Michael Baym, microbiologista da Universidade Harvard, disse que um resultado positivo seria importante, mas afirmou que prefere aguardar o fim do tratamento e avaliar se os vírus são realmente inéditos. “Minha tendência é ser cético”, declarou.

Brandon Berryhill, microbiologista evolutivo da Universidade de Uppsala, na Suécia, também ressaltou que não é possível prever apenas com testes de laboratório o desempenho de um fago durante uma infecção. Mesmo que a terapia funcione, disse ele, ainda será difícil entender quais características explicam o sucesso ou o fracasso do tratamento.

A terapia com fagos não é uma prática nova: ela é estudada há mais de um século e voltou a atrair atenção diante da resistência crescente de bactérias a antibióticos. Clínicas especializadas nos Estados Unidos e em outros países atendem pacientes com infecções resistentes a vários medicamentos. A busca por um fago adequado, porém, pode ser demorada, porque o vírus precisa ser testado contra a cepa que causa a infecção.

A IA pode oferecer uma alternativa à procura de vírus na natureza, ao ajudar a projetar fagos direcionados a uma bactéria específica. Em 2025, pesquisadores do Arc Institute, na Califórnia, usaram o modelo Evo 2 para gerar 700 mil genomas virais. A equipe sintetizou DNA de 285 deles e encontrou 16 que produziram vírus viáveis. Nguyen estava entre os integrantes que depois deixaram o grupo para fundar a Radical Numerics.

A empresa apresentou o Omnii em junho. Segundo a Radical Numerics, o sistema pode ser treinado com DNA e também com outros dados biológicos, como estruturas de proteínas. Nguyen afirmou que a companhia espera reduzir para poucos dias o tempo de criação de fagos personalizados. O tratamento atual, no entanto, pode durar dias ou semanas, e pacientes costumam ser acompanhados por meses para verificar se a infecção retorna.

Para entender

Fagos
São vírus que infectam bactérias. Cada tipo costuma atingir apenas determinadas cepas, por isso é necessário identificar ou desenvolver um fago capaz de atacar a bactéria específica que causa a infecção.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também