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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Moderna e Merck mostram vacina contra melanoma com 42% menos risco

A combinação com Keytruda reduziu o risco de morte ou recidiva em estudo de fase 3 com mais de 1.100 pacientes; os dados detalhados serão apresentados sábado.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pesquisador prepara uma amostra em laboratório de oncologia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pesquisador prepara uma amostra em laboratório de oncologia.
Resumo em 30 segundos

A vacina personalizada intismeran autogene, também conhecida como V940, combinada ao Keytruda reduziu em 42% o risco de morte ou recidiva de melanoma e em 38% o risco de disseminação da doença. Após dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a combinação permaneciam sem câncer, contra 70% dos que receberam apenas Keytruda.

A Moderna e a Merck informaram nesta quinta-feira (22) que a combinação da vacina experimental intismeran autogene com o imunoterápico Keytruda reduziu em 42% o risco de morte ou recidiva de melanoma. O resultado veio de um estudo de fase 3 com mais de 1.100 pacientes e foi divulgado pelas empresas antes da apresentação detalhada dos dados, prevista para sábado (24), em Madri, durante o congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica.

A pesquisa também apontou uma redução de 38% no risco de o câncer se disseminar. Após dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a vacina e o Keytruda permaneciam sem câncer, ante 70% entre os que receberam apenas o medicamento da Merck. Os resultados se baseiam nos dados dos participantes nos dois primeiros anos após o tratamento.

O estudo avaliou nove doses da vacina, administradas a partir de 13 semanas depois de uma cirurgia para retirar lesões de melanoma. A equipe comparou os resultados da combinação com os obtidos com Keytruda isolado, uma terapia padrão para a doença.

A intismeran autogene, também identificada como V940, é uma vacina de RNA mensageiro (mRNA) personalizada. Ela é desenvolvida com base em mutações encontradas no tumor de cada paciente e orienta as células a produzir cópias dessas alterações. A ideia é treinar o sistema imunológico para reconhecer e atacar as células cancerígenas que carregam essas mutações.

O Keytruda, por sua vez, é uma imunoterapia que bloqueia um mecanismo usado por células cancerígenas para escapar da resposta imune. A combinação busca, portanto, ampliar o reconhecimento do tumor pelo organismo e facilitar o ataque das defesas naturais. Os resultados são os primeiros, segundo as empresas, a mostrar em um estudo de fase 3 que uma vacina personalizada baseada nas mutações tumorais pode ajudar a manter o câncer sob controle quando associada a esse tipo de medicamento.

“Com essa capacidade de criar novas células T específicas para o seu tumor... o impacto clínico é muito profundo e, como vimos no estudo de fase 2, muito duradouro”, afirmou o presidente-executivo da Moderna, Stephane Bancel. Hussein Tawbi, especialista em melanoma e pesquisador do estudo no MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, disse que o resultado tem alta significância estatística.

Moderna e Merck se preparam para pedir autorização nos Estados Unidos e esperam lançar a vacina em 2027, segundo Bancel. A combinação também está sendo estudada em cânceres de rim, bexiga e pulmão. Ainda não está definido quanto a vacina poderá melhorar os resultados em outros tumores; Bancel afirmou acreditar que ela possa aumentar a eficácia nos casos em que o Keytruda funciona.

Os dados divulgados nesta quinta-feira também influenciaram as ações das empresas. Os papéis da Moderna fecharam em queda superior a 17%, após subirem desde o anúncio, em agosto, de que o estudo havia sido bem-sucedido. As ações da Merck recuaram cerca de 1,8%.

Para entender

Vacina de mRNA personalizada
É desenvolvida a partir de mutações identificadas no tumor de cada paciente. O RNA mensageiro orienta as células a produzir cópias dessas alterações, com o objetivo de ensinar o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas que as carregam.

Fontes: Folha de S.Paulo

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