Subir 60 a 70 degraus por dia se associa a menor risco cardíaco
Revisão de nove estudos com mais de 480 mil pessoas associou esse hábito a 39% menos mortes cardiovasculares, sem provar causa e efeito.
Resumo em 30 segundos
Uma revisão sistemática com meta-análise associou subir de 60 a 70 degraus por dia a menor mortalidade cardiovascular e por qualquer causa, além de menos eventos como infarto e AVC. Os degraus podem ser distribuídos ao longo do dia, mas a recomendação é começar aos poucos e buscar avaliação profissional em situações de risco.
Subir de 60 a 70 degraus por dia — o equivalente a cerca de quatro ou cinco lances de escada — está associado a menor risco de morte por doenças cardiovasculares e por qualquer causa, segundo uma revisão sistemática com meta-análise publicada em agosto no *American Journal of Cardiovascular Drugs*. O estudo reuniu nove pesquisas, com mais de 480 mil participantes, com e sem histórico de problemas cardiovasculares.
A análise encontrou associação entre o hábito de subir escadas e uma redução de 39% na mortalidade por doenças cardiovasculares e de 24% na mortalidade por qualquer causa. Também observou menor ocorrência de eventos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. Os resultados indicam uma relação entre a prática e esses desfechos, mas não significam que subir escadas, isoladamente, garanta prevenção ou tratamento.
A cardiologista Juliana Soares, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que os dados reforçam que a atividade física não precisa ser feita apenas em academia para contribuir com a saúde. Segundo ela, metas pequenas e possíveis de manter podem facilitar a adesão. Os estudos considerados na revisão também apontaram benefícios com volumes menores de subida.
Os degraus podem ser distribuídos ao longo do dia: por exemplo, dois lances pela manhã e mais dois à tarde. A soma diária do esforço é relevante, e a prática também pode interromper períodos prolongados sentado. Para quem está sedentário, trocar o elevador pela escada pode ser uma forma de começar a se movimentar, desde que o esforço aumente aos poucos.
A subida acelera o coração porque exige que ele bombeie mais sangue durante o exercício. O movimento combina atividade aeróbica com trabalho muscular: quadríceps, panturrilhas e glúteos são acionados para elevar o corpo contra a gravidade. Os vasos sanguíneos se dilatam, e os músculos aumentam o uso de glicose, o que pode contribuir para o controle do diabetes e do colesterol.
A intensidade varia conforme o ritmo e o condicionamento físico. Para uma pessoa que não pratica exercícios, subir escadas pode representar esforço moderado e, em ritmo mais acelerado, até vigoroso. Por isso, a orientação é começar com um lance e ampliar gradualmente, em vez de tentar subir vários de uma só vez.
A atividade exige cautela para idosos com risco de queda ou alterações de equilíbrio e para quem tem problemas articulares importantes. Pessoas com condições cardiovasculares descompensadas, como insuficiência cardíaca, arritmias não controladas ou dor no peito, não devem subir escadas sem antes obter avaliação profissional.