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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Fitch rebaixa nota da Portobello após atraso em debêntures

A classificação passou de BBB(bra) para RD(bra), após R$ 59,8 milhões em pagamentos serem adiados para janeiro de 2027; a nota não indica recuperação judicial.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Interior de uma fábrica de revestimentos cerâmicos, com equipamentos e peças de cerâmica. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Interior de uma fábrica de revestimentos cerâmicos, com equipamentos e peças de cerâmica.
Resumo em 30 segundos

A Fitch Ratings rebaixou a nota nacional da Portobello para RD(bra), nível que corresponde a calote restrito, após a empresa deixar de pagar obrigações de debêntures. Os pagamentos, que somam R$ 59,8 milhões, foram adiados para janeiro de 2027. A agência aponta riscos de refinanciamento, apesar de a companhia ter R$ 213 milhões em caixa e aplicações.

A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito nacional da Portobello de “BBB(bra)” para “RD(bra)”, classificação que corresponde a calote restrito, após a fabricante deixar de pagar parcelas de principal e juros de suas 5ª e 6ª emissões de debêntures. O atraso começou em junho e envolve obrigações de R$ 59,8 milhões; os pagamentos foram adiados primeiro para outubro e, depois, para janeiro de 2027.

Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos. Nesse caso, os credores concederam um perdão temporário das obrigações, mas a renegociação modificou os termos previstos nos contratos originais. Para a Fitch, essa alteração caracteriza o início de uma troca de dívida em situação crítica, enquanto a empresa tenta preservar caixa e reorganizar seus compromissos financeiros.

A agência considera que o descumprimento de obrigações financeiras relevantes, sem que a empresa tenha formalizado um pedido de recuperação judicial, entrado em liquidação ou interrompido as operações, se enquadra na definição de calote restrito. A nota não equivale, portanto, à afirmação de que a companhia encerrou suas atividades ou entrou em recuperação judicial.

A Portobello terminou setembro com R$ 213 milhões em caixa e aplicações financeiras. Segundo a avaliação da Fitch, esse montante não é suficiente para afastar os riscos de refinanciamento no curto prazo, diante dos compromissos e das necessidades financeiras da companhia.

A deterioração da estrutura de capital se intensificou a partir de 2025, em meio à fraca geração de caixa operacional e à queda do Ebitda — indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. A agência relaciona o desempenho também à crise enfrentada pela indústria brasileira de revestimentos cerâmicos.

Desde o segundo trimestre, a gestão adotou medidas para reduzir a saída de caixa. Entre elas estão o desinvestimento da unidade Pointer e a concentração em produtos de maior valor agregado. A Fitch avalia que essas ações podem contribuir para melhorar as margens operacionais, mas projeta pressão sobre o fluxo de caixa das operações por causa das despesas financeiras elevadas e da perspectiva de juros altos por período prolongado.

A agência poderá rever e elevar as notas quando a reestruturação das dívidas for concluída formalmente ou se a Portobello retomar a amortização regular das debêntures. Até lá, o adiamento dos pagamentos e as dificuldades de refinanciamento mantêm a classificação no nível de calote restrito.

Fontes: Valor Econômico

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