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Sábado, 24 de outubro de 2026

Ministério da Defesa pode ter primeira mulher como titular

Se Lula vencer a eleição presidencial de 2026, José Múcio pretende defender Cinara Wagner Fredo; Flávio Bolsonaro considera indicar um militar se eleito.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulher em um corredor de prédio público, com uma bandeira do Brasil ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher em um corredor de prédio público, com uma bandeira do Brasil ao fundo.
Resumo em 30 segundos

José Múcio Monteiro pretende deixar o Ministério da Defesa se Lula for reeleito e defender a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, para sucedê-lo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, discute com aliados a possibilidade de indicar um militar caso vença a eleição. A definição depende do resultado da votação de domingo.

O Ministério da Defesa poderá ter uma mulher pela primeira vez se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito no domingo (25): o atual titular, José Múcio Monteiro, pretende defender a nomeação de Cinara Wagner Fredo, secretária-geral da pasta. Já Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na eleição presidencial, cogita indicar um militar caso vença a disputa.

Múcio deve deixar o ministério se Lula continuar no cargo. O ministro considera Cinara preparada para assumir a função por sua experiência técnica e de gestão, além de já ocupar uma posição estratégica na estrutura da Defesa. Ela é servidora do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi levada para a pasta para tratar de temas ligados à Previdência dos militares.

Entre os argumentos que Múcio pretende apresentar ao presidente está a possibilidade de a Defesa ter sua primeira ministra. A escolha também poderia atender a cobranças de aliados de Lula por maior presença de mulheres no primeiro escalão do governo.

Cinara participou de iniciativas administrativas da gestão, segundo a avaliação de Múcio, como a realização de concurso para servidores civis e a abertura do serviço militar voluntário para mulheres. O ministro também considera que ela conhece as tarefas ainda pendentes, entre elas centralizar no ministério as compras das três Forças Armadas e reduzir o número de adidos militares no exterior.

Múcio afirma considerar concluídas suas principais missões no cargo: reduzir a politização das Forças Armadas, intensificada durante o governo de Jair Bolsonaro, e iniciar a recomposição da indústria de defesa. Ele já tentou deixar o ministério, mas Lula o convenceu a permanecer. Se o presidente for reeleito, Múcio poderá pedir para sair antes do fim do mandato, e Cinara assumiria interinamente até a definição de um sucessor.

No campo de Flávio Bolsonaro, a possibilidade de nomear um militar é discutida com aliados. A ideia seria que essa pessoa fosse o único integrante das Forças Armadas no primeiro escalão, além do titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), posto tradicionalmente ocupado por um militar. A escolha também marcaria uma diferença em relação ao governo de seu pai, que nomeou militares para várias áreas da Esplanada.

Caso opte por um oficial, o nome teria de ser um general ou almirante de quatro estrelas, o posto mais alto da carreira militar. Entre os nomes que circulam estão os almirantes Flávio Rocha, ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos, e Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia. Ambos serviram no governo Bolsonaro e não foram condenados. Rocha é próximo da família Bolsonaro.

A possibilidade de um militar na Defesa enfrenta resistência entre aliados mais moderados do senador, que defendem um civil à frente da pasta. A proposta se baseia no princípio de que as Forças Armadas devem estar subordinadas ao poder civil, exercido por autoridades eleitas. Entre os cotados está Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa e ex-diretor para Brasil e América Latina do conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos Edge Group. Ele é ligado a Eduardo Bolsonaro e ao comentarista Paulo Figueiredo, que vivem nos Estados Unidos.

Outro nome mencionado entre militares é o senador reeleito Carlos Portinho (PL-RJ), que tem boa receptividade nas três Forças, segundo integrantes do setor. Ele é autor de uma proposta de emenda à Constituição que busca dar previsibilidade ao orçamento de defesa. A versão original do texto previa recursos equivalentes a pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A possibilidade de aceitar o cargo pode ser um obstáculo para Portinho, considerado um político em ascensão.

O cenário para a escolha do próximo ministro depende do resultado eleitoral. Pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira (22) apontou empate técnico entre Flávio e Lula, com 50% dos votos válidos para cada um. A proximidade da votação intensificou as conversas sobre a composição do futuro governo.

Criado em 1999, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, o Ministério da Defesa reuniu sob uma única pasta áreas que antes tinham ministérios próprios para cada Força Armada. Desde sua criação, o cargo foi ocupado por civis até o governo de Michel Temer, que nomeou o general Joaquim Silva e Luna. Bolsonaro manteve militares na função, incluindo os generais Fernando Azevedo e Silva, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira.

Fontes: Folha de S.Paulo

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