Michelle Bolsonaro concentra campanha de Flávio no Distrito Federal
Sem acompanhar o enteado em viagens nacionais, ela participou de atos no DF e arredores e também se dedicou à campanha de Celina Leão ao governo local.
Resumo em 30 segundos
Michelle Bolsonaro apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas concentrou sua atuação em compromissos no Distrito Federal e em cidades próximas. Ela também participou da campanha de Celina Leão ao governo local. A ex-primeira-dama não fez a rodada de viagens nacionais que sua equipe chegou a considerar e deve acompanhar a apuração em casa, com Jair Bolsonaro.
A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) não acompanhou o enteado, Flávio Bolsonaro (PL), em viagens nacionais de campanha no segundo turno da eleição presidencial e concentrou sua atuação em compromissos no Distrito Federal e arredores. Ela apoiou a candidatura do senador à Presidência, mas também dedicou parte da agenda à campanha de Celina Leão (PP) ao governo do DF. As votações do segundo turno ocorrem neste domingo.
Michelle participou nesta semana de atividades em apoio a Flávio em Palmas e em Cidade de Goiás (GO), além de carreatas em Brasília, Ceilândia e Taguatinga. Não esteve, porém, em eventos de campanha do enteado fora dessa agenda regional. Aliados chegaram a planejar que ela o acompanhasse ao debate da TV Globo na sexta-feira, mas a ideia não se concretizou.
A senadora eleita também teve participação limitada nas redes sociais. Desde a reconciliação com Flávio, em 23 de julho, até 15 de outubro, cinco de 107 publicações feitas por ela deram maior destaque ao candidato, segundo levantamento de seu perfil. A última postagem em que pediu votos diretamente para o senador foi publicada em 7 de outubro, depois do primeiro turno.
Em 19 de agosto, Michelle publicou propaganda eleitoral com Flávio e uma imagem ao lado dele, de Celina e da senadora eleita Bia Kicis (PL). Em 3 de outubro, divulgou um santinho com os números dos quatro candidatos. Mais recentemente, deixou fixada no alto do perfil uma publicação que pede votos para Celina e Flávio.
Antes do segundo turno, a equipe de Michelle chegou a considerar uma série de viagens a quatro ou cinco capitais, em uma agenda separada da comitiva do senador. Manaus, Salvador e João Pessoa estavam entre os destinos cogitados. A proposta era mobilizar eleitores, especialmente mulheres e evangélicos, por meio da rede política construída pela ex-primeira-dama, incluindo o PL Mulher. Parte das atividades seria compartilhada com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), mas o roteiro não foi executado nos moldes inicialmente previstos.
A agenda local também se relaciona à disputa pelo governo do Distrito Federal. Eleita senadora no primeiro turno junto com Bia Kicis, Michelle passou a participar da campanha de Celina, candidata apoiada pelo PL e amiga próxima das duas. Celina disputa o segundo turno, e a eleição local mobiliza lideranças bolsonaristas na capital.
Outro fator que mantém Michelle em Brasília é a situação de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar na cidade. A previsão é que ela acompanhe em casa, ao lado do marido, a apuração do segundo turno. O ex-presidente, impedido de participar diretamente das atividades eleitorais, incentivou familiares e aliados a reforçar a campanha do filho.
No início da disputa, havia dúvidas sobre o envolvimento de Michelle na candidatura do enteado. Meses antes, ela publicou vídeos em que afirmou que Flávio a havia maltratado e desrespeitado suas opiniões políticas. Depois da repercussão, o senador pediu desculpas e fez gestos de reaproximação familiar, num contexto em que a campanha buscava ampliar o apoio entre as mulheres.
No começo do segundo turno, Michelle disse que aumentaria sua participação e defendeu, em reunião com a bancada eleita do PL, o engajamento feminino. Uma aliada avaliou que a atuação de outras lideranças ajudou a compensar a ausência de uma rodada nacional de viagens da ex-primeira-dama. Entre elas estão o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que percorreu regiões do país em apoio a Flávio, e mulheres ligadas ao movimento bolsonarista que organizaram eventos.
Nikolas promove atos chamados de “bloquinhos”, em formato semelhante ao de comícios, e tem mobilizado apoiadores nas redes sociais. A agenda inclui compromissos no Nordeste, onde Flávio busca reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha de Michelle também é vista como relevante para a tentativa do PL de ampliar o apoio do senador entre mulheres e evangélicos, segmentos com os quais ela construiu interlocução durante o governo Bolsonaro.