Abstenção de 2026 pode influenciar disputa entre Lula e Flávio
No primeiro turno, 33,7 milhões de eleitores não votaram, o equivalente a 21% do eleitorado; a votação decisiva ocorre neste domingo, 25.
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A abstenção no primeiro turno de 2026 foi de 21%, a maior em uma primeira etapa desde 1998. Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno neste domingo, e a composição de quem comparecer às urnas pode favorecer grupos diferentes. Em 2022, a participação aumentou na segunda votação, mas o comportamento varia entre eleições.
A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 chegou a 33,7 milhões de eleitores, ou 21% do eleitorado, e a presença nas urnas é um dos fatores em disputa no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para este domingo, 25. Na votação de 4 de outubro, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, 47% do total, contra 53,8 milhões de Lula, 45%.
O índice de ausência foi o mais alto em um primeiro turno desde 1998, quando 21,7% dos eleitores não votaram. A abstenção tende a ser maior no segundo turno do que na primeira etapa, mas a disputa presidencial de 2022 foi uma exceção: o índice caiu de 20,79% para 20,59% entre as duas votações.
Naquele pleito, Lula aumentou sua votação de 57,2 milhões para 60,3 milhões de votos, uma alta de 5,4%. Jair Bolsonaro, então presidente e candidato à reeleição, passou de 51 milhões para 58,2 milhões, crescimento de 14%. Os dados mostram que os dois candidatos ampliaram seus votos no segundo turno, embora o aumento tenha sido maior no caso de Bolsonaro.
A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta diferentes razões para a ausência nas urnas: desinteresse pela política, protesto, dificuldades de deslocamento e problemas de registro eleitoral. Ela também observa que o primeiro turno costuma mobilizar candidatos locais e suas redes de apoio, inclusive prefeitos e vereadores envolvidos em disputas para cargos legislativos estaduais e federais.
Neste ano, movimentos estudantis favoráveis a Lula convocaram atos em diferentes partes do país após a votação de 4 de outubro, com o objetivo de incentivar quem faltou no primeiro turno a votar. Goulart afirma que manifestações não necessariamente elevam a participação geral, mas podem influenciar grupos específicos, como jovens que começam a se envolver com a política e mobilizações coletivas.
A professora não considera que um campo político seja, por natureza, mais capaz de mobilizar eleitores do que o outro. Na avaliação dela, políticos e influenciadores digitais têm papel importante em estimular a participação. A composição dos eleitores que comparecerem também pode favorecer os candidatos de maneiras diferentes: maior presença de jovens, idosos e pessoas de baixa renda tende a beneficiar Lula; a participação de mais homens, evangélicos e eleitores de renda alta tende a favorecer Flávio.
A disputa por apoiadores também se refletiu na Avenida Paulista, em São Paulo, que recebeu atos dos dois candidatos em fins de semana consecutivos. Lula participou de uma manifestação com o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). A campanha de Flávio convocou um ato no mesmo local para o domingo seguinte, com a presença prevista do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
A abstenção é a parcela de eleitores aptos que não comparece para votar. Além de influenciar a quantidade de votos recebida por cada candidato, sua variação pode alterar o peso relativo dos grupos sociais que participam da decisão.