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Sábado, 24 de outubro de 2026

Marcos Mendes prevê forte desaceleração do PIB em 2027

No Congresso da ABDE, o pesquisador também alertou para a dívida pública brasileira, que chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Marcos Mendes fala em um congresso de economia diante de uma plateia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Marcos Mendes fala em um congresso de economia diante de uma plateia.
Resumo em 30 segundos

Marcos Mendes, pesquisador do Insper, prevê desaceleração forte da economia brasileira em 2027 e ausência de recuperação no ano seguinte. No Congresso da ABDE, apontou a dívida pública como preocupação e mencionou riscos ligados a juros mais altos nos Estados Unidos. O Boletim Focus projeta crescimento de 1,32% do PIB em 2027.

O pesquisador do Insper Marcos Mendes afirmou que a economia brasileira deve desacelerar com força em 2027 e pode continuar sem recuperação no ano seguinte. Ele participou do Congresso da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), no Rio de Janeiro, onde também apontou o avanço da dívida pública como uma das principais preocupações do país.

A dívida bruta do governo geral subiu de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2023, para 82,9% em agosto deste ano. A relação entre dívida e PIB compara o total devido pelo governo ao tamanho da economia e é usada para avaliar a capacidade de pagamento e a trajetória das contas públicas.

O Boletim Focus, que reúne projeções de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central, estima crescimento de 1,85% para o PIB neste ano e de 1,32% em 2027. Mendes disse que o cenário externo, hoje favorável ao Brasil, pode se alterar com juros mais altos nos Estados Unidos, pressionando o câmbio. Ele afirmou que o país tem pouca margem para reagir e vê risco de estagnação prolongada.

“Em 2027, a gente vai ter uma desaceleração forte do crescimento, sem perspectiva de melhorar em 2028”, declarou o pesquisador. Ele ponderou que não espera uma crise como a recessão registrada entre 2014 e 2016. Também mencionou a valorização do dólar e a alta do petróleo, que, segundo ele, ajudaram o quadro fiscal, embora os gastos adicionais estejam consumindo esse espaço.

Mendes avaliou que o desemprego baixo e a inflação, apesar de acima da meta, sem disparada, contribuem para uma percepção de que não há problemas econômicos. Na avaliação dele, esses indicadores também favorecem promessas durante a campanha eleitoral, enquanto a situação das contas públicas exige atenção.

No congresso, o pesquisador afirmou que reformas costumam avançar em períodos de crise. Ele criticou o que chamou de interferência entre os Poderes: citou decisões do Judiciário que anularam artigos da Reforma Trabalhista de 2017 e disse que emendas parlamentares levam o Legislativo a assumir atribuições do Executivo. “Essa invasão de Poderes prejudica o funcionamento da sociedade”, afirmou.

O economista também questionou políticas que, segundo ele, concentram benefícios e distribuem seus custos. Como exemplo, citou o microempreendedor individual (MEI), criado para formalizar trabalhadores por conta própria em situação mais vulnerável. Mendes disse que a modalidade passou a ser usada também pela classe média e afirmou que há 17 milhões de MEIs, dos quais 30% estão inscritos no Cadastro Único, porta de entrada para benefícios sociais do governo.

Fontes: O Globo

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