Lula busca retomar indicação de Jorge Messias ao STF em 2027
O Senado rejeitou o nome do advogado-geral da União em abril, e o regimento impede nova votação na mesma sessão legislativa, que termina neste ano.
Resumo em 30 segundos
Lula pretende insistir na indicação de Jorge Messias ao STF, apesar da rejeição do Senado em abril. A proposta não pode ser votada novamente em 2026. Aliados avaliam que a disputa pela presidência do Senado em 2027 pode reabrir negociações, mas integrantes do governo defendem que o presidente escolha outro nome.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende voltar a indicar Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), apesar de o Senado ter rejeitado o nome do advogado-geral da União em abril. A discussão, porém, não pode ser retomada em 2026: o regimento da Casa impede que uma proposta já recusada seja votada novamente na mesma sessão legislativa, período que corresponde ao ano parlamentar.
Aliados de Lula avaliam que a vitória eleitoral do presidente fortaleceu sua posição para tentar reabrir as negociações. A movimentação também ocorre em meio à disputa pela presidência do Senado, prevista para 2027, e à oposição de parlamentares bolsonaristas ao atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A intenção seria usar as conversas sobre a sucessão no comando do Senado para reduzir a resistência à indicação.
A avaliação não é consensual dentro do governo. Integrantes da base e do núcleo próximo ao presidente consideram que o Senado continua contrário a Messias e defendem que Lula escolha outro nome. Entre as alternativas citadas está o senador Rodrigo Pacheco, que, segundo aliados, é o preferido de Alcolumbre e já está acomodado no Tribunal de Contas da União (TCU).
Lula tem dito a interlocutores que a rejeição de Messias não decorreu de sua trajetória profissional, mas de uma conjuntura política desfavorável. Na leitura de aliados do presidente, os senadores usaram a votação para enviar uma mensagem ao governo. O presidente também considera que esta pode ser sua última oportunidade de nomear alguém de sua confiança para o STF, pois as indicações futuras dependerão de negociações mais difíceis, diante do crescimento da bancada do PL após a posse dos senadores eleitos em outubro.
Pessoas próximas a Alcolumbre afirmam que o assunto não foi discutido entre os dois depois da vitória de Lula. Eles se encontraram no dia seguinte ao resultado eleitoral, ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Lula convidou Alcolumbre e Motta para acompanhá-lo em uma viagem às Filipinas e à Turquia, mas, até a noite de quarta-feira (4), o presidente do Senado ainda não havia confirmado presença.
A comitiva também é vista pelo Planalto como uma oportunidade de demonstrar unidade institucional. Emissários do governo têm tentado convencer os dois presidentes do Legislativo a participar da viagem, após a fuga para os Estados Unidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição.
A possibilidade de uma disputa pela presidência do Senado não necessariamente mudaria a posição de Alcolumbre, segundo pessoas próximas a ele. O atual presidente da Casa deve enfrentar um candidato bolsonarista, que pode ser Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS). Um senador avalia que insistir em Messias poderia fortalecer o bolsonarismo; ao mesmo tempo, Alcolumbre precisaria do apoio do governo para tentar se reeleger, enquanto Lula dependeria dele para evitar um presidente do Congresso alinhado à oposição.
Durante a campanha, houve propostas alternativas para a vaga. Foram mencionados Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro; Edilene Lobo, ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); e as ministras do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira e Regina Helena Costa. No segundo turno, aliados também sugeriram Pacheco, mas Lula não estimulou essas articulações e manteve Messias como sua escolha.
A vaga no STF está aberta para indicação presidencial. O escolhido pelo presidente precisa passar por sabatina e receber aprovação do Senado para ocupar o cargo. Enquanto a indicação de Messias não puder ser reapresentada neste ano, senadores da base defendem que o governo concentre as últimas sessões legislativas de 2026 na aprovação de outros projetos.