Davi Alcolumbre critica campanhas contra ministros do STF
Senador afirma que aliados de Flávio Bolsonaro aceitaram as urnas no primeiro turno, quando o PL elegeu deputados e senadores.
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Davi Alcolumbre criticou parlamentares eleitos com campanhas de ataques e defesa de processos de impeachment contra ministros do STF. Também contestou aliados de Flávio Bolsonaro que questionaram o resultado da eleição presidencial, lembrando que a mesma urna eletrônica foi aceita no primeiro turno. O discurso ocorre em meio à disputa pela presidência do Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou nesta quarta-feira as campanhas de parlamentares eleitos que, segundo ele, se apoiaram em ataques e na defesa de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também contestou as alegações de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial, de que o resultado do segundo turno não foi legítimo.
Em discurso no Senado, Alcolumbre afirmou que candidatos ganharam votos ao ofender adversários e concentrar suas agendas em pautas contra o Judiciário, o Executivo ou o próprio presidente da Casa. A posição dele de não abrir processos de impeachment contra ministros do STF foi citada em campanhas de senadores eleitos.
“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas. Não teve proposta de universidade. Não apresentaram que iam vir para Brasília defender o desenvolvimento econômico do país, defender a democracia, defender a saúde, o Estado de Direito. Mas ofensas, ameaças e agressões foram todos os dias”, disse.
Alcolumbre também comparou a aceitação das urnas eletrônicas no primeiro turno com os questionamentos feitos após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo. Ele afirmou que a mesma urna usada para eleger representantes do PL no Congresso foi considerada confiável antes da derrota de Flávio.
“No primeiro turno, a urna eletrônica prestou. No primeiro turno, abriu a mesma urna, e essa mesma urna eletrônica, que tem 30 anos, serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição. Essa mesma urna eletrônica serviu para eleger 20 e tantos senadores [do PL]”, declarou.
O presidente do Senado disse que não ouviu contestação da confiabilidade das urnas quando o resultado do primeiro turno favoreceu o partido. “Ela serviu para comemorar no primeiro turno uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula, e quando abriu no segundo turno não prestou mais a urna”, afirmou.
A fala ocorreu em meio a tensões entre Alcolumbre e senadores da oposição. O PL havia oficializado a candidatura de Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027. Alcolumbre busca apoio para permanecer no cargo, enquanto a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantém candidatura; os dois oposicionistas dizem que tentarão um acordo para evitar a divisão de votos.
A disputa pelo comando da Casa se soma a divergências sobre a condução dos trabalhos legislativos. Alcolumbre adiou a votação de uma proposta de redução da maioridade penal após pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aguardar a análise do tema pelos deputados. A decisão recebeu críticas do líder do PL, Carlos Portinho (RJ), que afirmou que não faria novos acordos com o presidente do Senado.
A escolha do presidente do Senado é feita por voto secreto dos senadores. O cargo inclui a condução das sessões e a definição da pauta de votações da Casa.