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Sábado, 24 de outubro de 2026

Laudo aponta que jovem foi atingido por 12 tiros em Moema

Gustavo Munis morreu em 10 de outubro; policiais fizeram 45 disparos, e investigações da Polícia Civil e da PM apuram a abordagem.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Esquina de Moema onde ocorreu uma abordagem policial investigada. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Esquina de Moema onde ocorreu uma abordagem policial investigada.
Resumo em 30 segundos

Um laudo do Instituto de Criminalística aponta que Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por pelo menos 12 disparos durante uma abordagem policial em Moema. Quatro tiros causaram sua morte. Os agentes fizeram 45 disparos, e o caso é investigado pela Polícia Civil e pela Polícia Militar.

Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo aponta que Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por pelo menos 12 disparos feitos por policiais militares durante uma abordagem em Moema, na zona sul da capital. O caso ocorreu em 10 de outubro, e o jovem morreu no local; os agentes efetuaram 45 tiros, segundo o documento.

O exame concluiu que quatro dos disparos causaram a morte: três atingiram o tórax e um, o abdômen. Outros oito tiros acertaram Gustavo de raspão nas extremidades do corpo e provocaram ferimentos. O laudo, portanto, registra ao menos 12 impactos, enquanto o boletim de ocorrência elaborado pelos policiais menciona que o jovem teria sido atingido por pelo menos 27 tiros.

Imagens de câmeras de segurança mostram Gustavo chegando à calçada de um estabelecimento, na região da ocorrência, e tentando se proteger junto à parede. Em seguida, ele leva as mãos à cintura, pega um celular com as duas mãos e o aponta na direção dos policiais. As câmeras corporais dos agentes também registraram a abordagem.

Conforme o boletim de ocorrência, os policiais confundiram o telefone com uma arma de fogo. A equipe havia sido acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) após receber informação de que uma pessoa estava transtornada e ameaçava tirar a própria vida. O registro policial afirma que Gustavo correu em direção aos agentes com os braços estendidos e apontou um objeto escuro.

O mesmo boletim informa que um dos policiais fez 14 disparos. As armas usadas pelos agentes eram pistolas calibre .40, com capacidade para até 15 tiros. As imagens de segurança também mostram Gustavo sendo atingido quando já estava no chão, segundo os registros citados no caso.

Gustavo não tinha antecedentes criminais. Ele morava com a mãe e as irmãs, fazia tratamento psiquiátrico e usava antidepressivos desde o ano passado. Os quatro policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais, e suas armas foram recolhidas para perícia.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta e que apura as circunstâncias da morte. A pasta declarou que eventuais irregularidades poderão resultar em punições e informou que as gravações das câmeras corporais estão sob análise.

A Polícia Civil investiga o caso por meio do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Militar também abriu um Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado pela Corregedoria da corporação, para analisar a atuação dos agentes. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias dos disparos e se a conduta policial seguiu os procedimentos previstos.

A mãe de Gustavo, Santiana Munis, questionou a ação dos agentes em entrevista à TV Globo. “Em caso de suicídio, você vai lá e mata?”, disse. Ela afirmou que o filho não era um criminoso, mas uma pessoa em situação de surto psicológico.

O caso ocorreu em meio a uma sequência de mortes durante abordagens policiais envolvendo pessoas em sofrimento psíquico. Neste mês, três pessoas nessa situação foram mortas em um intervalo de 15 dias, incluindo Gustavo. Em Pirituba, na zona norte, uma mulher com comportamento alterado e uma faca morreu após ser baleada na cabeça por um policial militar, no dia 15 de outubro. Em outro episódio, Antônio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto na Vila Dionísia depois que policiais dispararam 24 vezes; a família informou que ele tinha esquizofrenia.

Após as ocorrências, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que pretende discutir uma revisão dos procedimentos e dos treinamentos da Polícia Militar. “A gente tem conversado e esses casos nos fizeram refletir sobre os procedimentos. Então, a gente vai ter uma reunião com o comando da Polícia Militar para revisar procedimento e treinamento, para impedir que excessos aconteçam”, declarou.

Tarcísio disse que cada morte está sendo investigada separadamente e ponderou que policiais também podem enfrentar ameaças à própria vida. Ao mesmo tempo, reconheceu a necessidade de rever a atuação da corporação. O protocolo para esse tipo de ocorrência prevê prioridade ao diálogo e à preservação da vida; quando possível, orienta o acionamento de equipes especializadas e profissionais de saúde. O uso de arma de fogo é previsto como último recurso diante de ameaça iminente à vida de agentes ou de outras pessoas, considerando necessidade e proporcionalidade.

Fontes: Estadão

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